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dezembro 31, 2003

NO MORE, NO LESS

No more, no less,
Come as a friend.
Not stupid, not smart,
Come as a human being.
Not pretty, not ugly,
Come as you are.
Not early, not late,
Come on time.
Not shy, not outgoing,
Come with personality.
Not happy, not sad,
Come with feelings.
Don't come with a fake identity,
Come as you always are.

(desconheço o autor, se alguém souber, agradecia que o referenciasse)


GIN

Publicado por agineotonico às 07:06 AM | Comentários (8)

dezembro 30, 2003

CRIMINALIDADE


Muitos de nós já fomos assaltados por delinquentes juvenis ou conhecemos alguém muito próximo de nós que já o foi.
A criminalidade tem vindo a aumentar, segundo rezam as estatísticas, enquanto o Ministro da Administração Interna, Figueiredo Lopes, vai negando as evidências.

O roubo por esticão na via pública, assaltos a bancos e a postos de combustível e de associação criminosa aumentou 478,6% em relação a 2001.
Nos primeiros 6 meses deste ano, os assaltos a bancos triplicaram e os homicídios e raptos registaram um crescimento de 50% em relação a 2002.

Os números são assustadores e a segurança é uma coisa que consideramos vital.

Mas seria importante perceber porque razão isto se passa. Só sabendo as razões deste aumento da criminalidade se poderá pôr em marcha um trabalho que vise a sua prevenção.

Por outro lado, a informação pública do resultado desses estudos permitiria que a população tomasse consciência do que está na origem desses actos, assumisse uma atitude mais solidária e pautasse as suas ideias por valores humanos mais adequados.

É verdade que é difícil num país, onde a toda a hora saltam para os órgãos de comunicação social, histórias de roubos descarados, de fuga aos impostos, de corrupção e favorecimento de membros do governo e outras figuras de “poder” que persistem com a maior das impunidades, se torna difícil, dizia eu, que a maioria da população portuguesa mantivesse um nível de valores humanos e sociais elevado.

Assim, vemos aparecer os bens materiais como valor primeiro e a obter a todo o custo e, quando não se tem, aparenta-se.

Vem este discurso a propósito dos comentários que li sobre a morte de adolescentes num acidente, quando fugiam da polícia num carro roubado.

“Menos um para quem cumpre preocupar-se. Agora haviam de responsabilizar a família, uma vez que era menor, do pagamento dos estragos da viatura ....”

“Não se perdeu nada. Só tenho pena do dono do carro que ficou destruído. Quem lho paga agora?”

“Eram menores, coitadinhos .... foi pena estragarem os carros de quem não tinha a culpa. De resto, azar ...”
(comentários no CM)

Desta vez fui eu que fiquei chocada com esta miséria humana Ó José Manuel Fernandes ...


GIN

Publicado por agineotonico às 07:59 PM | Comentários (2)

MISÉRIA MORAL E SOLIDARIEDADE HUMANA

Enquanto uns bem instalados na vida fazem acusações sobre a miséria moral dos nossos actos, alguns daqueles que são alvo da maior intolerância e violência social, dão-nos um testemunho exemplar de dignidade e solidariedade humana.

A falta de solidariedade humana e de miséria moral toma maior visibilidade nas estruturas da Segurança Social quando esta não cumpre os objectivos para que foi criada. Tem sido preciso que surjam “as mortes aberrantes das Catarinas” para que estas estruturas façam alguma coisa e, neste casos, o que fazem é arranjar formas de se descartarem das responsabilidades.

Um indivíduo deficiente mental está a cuidar dos pais ... nas Caldas da Rainha. O caso foi comunicado à Segurança Social há um mês, mas nada até agora foi feito ... A família vive em deficientes condições, pois não tem luz eléctrica, água canalizada, esgotos, e vive numa zona de difícil acesso”. O pai é reformado por invalidez e a mãe reformada, cega de uma vista (encontra-se actualmente hospitalizada). Sempre que têm que recorrer ao hospital, o que acontece com frequência, “para serem transportados ao hospital, de ambulância, têm de andar a pé cerca de 2 Km, pelo meio de pinhais, para conseguir chegar a um telefone. O filho, deficiente mental, trabalhava numa empresa de serralharia. Como deixou de comparecer ao trabalho durante quase dois meses, para cuidar dos pais, recebeu uma carta do patrão a dispensar os seus serviços ... Apesar da sua deficiência mental, possui um sentido de orientação apurado, manifestando grande vontade em tratar da mãe e do pai. A Junta de Freguesia ... colabora com alguma comida, que de vez em quando é fornecida à família, e deu conhecimento do caso, há um mês, à Segurança Social. Porém, ainda não foram tomadas medidas”(in CM)


GIN

Publicado por agineotonico às 06:55 PM

PRISÃO DE MICHAEL JACKSON

Publicado por agineotonico às 06:19 PM

DE PROFUNDIS, VALSA LENTA


De resto, a desmemória não só o isolou da realidade objectiva, como o destituiu, pode dizer-se, de sentimentos. Perdeu os estímulos de aproximação porque, sem a consciência da identidade que nos posiciona e nos define num framework de experiências e de valores, ninguém pode ser sensível à valia humana do semelhante. As suas virtudes ou os seus males só podem ser reconhecidos como significantes sentimentais em contraponto com a consciência da nossa identidade, isto é, com a tradição da comunicação que praticamos com a sociedade e com a nossa memória cultural. A ele tal coisa estava-lhe vedada, memória onde tu já ias. Daí a total indiferença em que navegava à tona das comoções e dos afectos, uma indiferença extrema que, sucedesse o que sucedesse , não o levava a perturbar nem ao de leve a disciplina do ambiente. Na verdade, não sabia de todo onde se encontrava, a razão era essa.”
(José Cardoso Pires in De Profundis, Valsa Lenta)

Publicado por agineotonico às 10:23 AM

dezembro 29, 2003

CRECHES PARA HOMENS

"Nos países latinos diz-se que eles parecem crianças, mas é nos nórdicos que se age em conformidade.
Na cidade de Hamburgo, na Alemanha, foram ciados männergarten (Jardins de Infância para homens), onde as mulheres os podem deixar enquanto vão às compras mais descansadas.
Apenas aberto aos sábados (por enquanto), o serviço de creche custa 10 euros e dá direito a uma refeição, duas cervejas e jogos.
A primeira experiência correu bem e os homens ficaram satisfeitos por esta folga das compras semanais."

(in Máxima de Dezembro)


GIN

Publicado por agineotonico às 06:33 PM | Comentários (3)

dezembro 28, 2003

DO MUNDO SÓ VEMOS O QUE QUEREMOS

Parece que me vou pacificando com a blogosfera depois de ter lido um post do Rui, “Na pele do outro”, no Adufe.
A humanidade que o Rui expressa neste seu questionamento, fez-me pensar na sua antítese, no questionamento do tristemente opinioso e director do Público – José Manuel Fernandes – no editorial de sábado “Misérias Humanas”.

Rui reconhece que “por mais que queira não encontro paralelos no meu pequeno mundo que me permitam aproximar a tragédia, perceber o incompreensível, imaginar-me verdadeiramente na pele do outro. Desconfio, contudo, que esse é o nosso maior desafio e a nossa maior esperança ... “.

Refere-se este post do Rui a tragédias como o sismo no Irão, os crimes da Alemanha nazi e o ataque do 11 de Setembro.
São diferentes situações, mas são situações de tal envergadura que torna difícil o seu entendimento para quem as não viveu de perto, por isso, as palavras do Rui fazem todo o sentido e o seu significado é extremamente humano.

José Manuel Fernandes no seu editorial sobre as “Misérias Humanas”, engatilha as armas e dispara balas em todas as direcções menos para onde devia. Penso que isto se deve ao seu treino de apoio à política belicista desta administração americana, do seu apoio à invasão do Iraque e do seu apoio ao apoio do governo português àquela política.

Perdeu-se da realidade, vê terroristas e maus da fita em todo o lado e aponta um dedo acusador indiscriminadamente a pessoas de quem não conhece, nem quer conhecer, as circunstâncias de vida.

É o que acontece quando vivemos sem dificuldades, colados ao poder, nos fechamos num dado meio e nos mantemos numa deliberada incultura para podermos acusar pessoas individuais por actos que têm origem nas condições sociais em que são obrigadas a viver.

Diz J. M. Fernandes que muitas famílias depositam os velhos nos hospitais no verão e nestas alturas de natal porque “assim não incomodam nem atrapalham”.

É chocante sem dúvida esta situação.

Mas sabe JMF quanto custa um lar? quanto é o orçamento familiar dessas famílias? qual o apoio que têm da segurança social? em que condições económicas, sociais e culturais vivem essas famílias?

Não, isso não interessa ... estas famílias sofrem apenas de miséria moral, aponta a arma e vai tiro.

A leitura que faz destes factos é que não são “actos de desespero gerados pelas mais absolutas carências, mas gestos de egoísmo que quebram todos os laços de solidariedade, mesmo com os que nos estão mais próximos”.

Quando a isto só posso perguntar se está a falar por si próprio, se está a fazer algum exame de consciência. É que, tanto quanto se sabe, estes casos estão relacionados com dificuldades efectivas de muitas famílias portuguesas.

Apronta de novo a arma e volta a disparar desta vez sobre a nossa atitude hedonista que nos faz viver o prazer imediato, a não olhar os sentimentos alheios, a fazer gala de discursos que não integram a noção de partilha e privação, de nos termos desabituado quase por completo de ter e criar filhos por não querermos assumir privações.

Pensei que JMF estivesse a transcrever o discurso de um qualquer padre (sem ofensa para os católicos) inculto do Portugal mais profundo na missa do galo, mas não, era mesmo ele a ir atrás do choro de um discurso absurdo, demonstrativo da sua ignorância ou da sua opção política do mais à direita possível.

Diz ainda JMF que são “comportamentos de que está ausente a simples ideia de que um dia, um momento, se tem que fazer um sacrifício por alguém”.
Concordo inteiramente, peço ao Sr. José Manuel Fernandes que faça o sacrifício, de um dia, um momento, ser mais honesto naquilo que escreve informando-se sobre as origens dos comportamentos que critica, evitando assim insultar a nossa inteligência.


GIN

Publicado por agineotonico às 10:35 PM | Comentários (1)

MULTICULTURALIDADE E XENOFOBIA (2)


Se a utilização do véu pode ser visto como um atentado à expressão individual, aqui estamos a discutir a exigência da comunidade muçulmana em países europeus e, em particular, a exigência das famílias sobre as suas raparigas, muitas delas menores, para ostentarem um símbolo que as diferencia.

É certo que esta exigência se liga ao fundamentalismo islâmico, mas também é certo que numa Europa multicultural a medida tomada por Chirac é resultado de posições xenófobas da extrema direita francesa em ascensão que se alia à desde sempre cultura etnocêntrica francesa.

O risco que se corre é que comecem a surgir as escolas privadas (como já existe pelo menos uma em França) ou que esta medida sirva para proibir que as raparigas frequentem as escolas públicas.

São estas as soluções que os fundamentalistas visavam e que aprovarão. O grave é que virão isolar ainda mais as mulheres muçulmanas, virão fazer regredir a sua luta pela emancipação.

Todos temos a perder com esta solução: perdem as comunidades muçulmanas que vivem na Europa e que vêm regredir a sua luta pela emancipação das mulheres ao mesmo tempo que garantindo o direito à sua identidade cultural, perdemos nós europeus que mantemos uma postura de colonização cultural e nos afastamos da exigência de convivência e respeito entre culturas, perde o mundo inteiro pelo nosso fracasso.

Ganham as posições extremadas, ganham os fundamentalistas religiosos sejam eles islâmicos, católicos ou judeus.

A expressão cultural é um direito e mesmo quando pode colidir com regras de comportamento colectivo devem encontrar-se plataformas de aproximação: por exemplo, se faz parte do sistema escolar francês as aulas de ginástica, as raparigas da comunidade muçulmana deverão fazê-la mesmo com véu, vestidas como quiserem.

Quando as regras dos grupos sociais não são compatíveis com as regras comuns, serão estes que devem arranjar alternativas: por exemplo, as escolas públicas não devem ter qualquer ensino religioso. Os pais devem ser apoiados para organizarem o ensino religioso da sua preferência nos tempos livres das suas crianças e jovens.

Nesta fase histórica do mundo é da mais completa falta de bom senso colocar o problema da proibição de véus às comunidades muçulmanas, é a xenofobia em ascensão, nada tem de inocente, é, como disse atrás, resultado da cultura etnocêntrica dos franceses a ser empurrada pelo ressurgir das forças da extrema direita.


GIN

Publicado por agineotonico às 05:36 PM | Comentários (2)

MULTICULTURALIDADE E XENOFOBIA (1)

A liberdade de expressão é um direito inalienável do sujeito desde que não fira os direitos humanos. Esta exclusão à liberdade de expressão que aqui refiro, faz sentido nas situações em que ela atenta os direitos humanos, nomeadamente os direitos humanos de menores, como no caso da excisão feminina e outras barbaridades semelhantes.

Agora, cada um tem direito a poder expressar-se como quiser, desde que isso não prejudique a convivência social e as regras de comportamento colectivo.

Vem isto a propósito da proibição de “sinais religiosos” nas escolas francesas.
Li comentários a esta questão no Público pela mão de Helena Matos, no Diário de Notícias pela mão de Miguel Portas e no Barnabé pela mão de Daniel Oliveira.

De Helena Matos, confesso que não entendi a sua posição. Diz ela que “só existe tolerância quando existe respeito pelo outro. E muitos dos líderes islâmicos não têm qualquer respeito pela cultura ocidental” e que “Em causa está a capacidade das democracias de zelarem pela aplicação das suas leis e de não brincarem ao faz de conta que somos livres ... há quem não só não queira ser livre como se obstine em que os outros não o sejam ... essa sua obstinação costuma eleger as mulheres como primeiras vítimas. Mas, como se sabe, têm planos para todos os outros”.

Não percebo se com isto ela concorda com esta proibição. Mas do seu artigo retiro uma informação que, essa sim, me preocupou. É que começaram a ser abertas escolas privadas muçulmanas em França.

De Miguel Portas, apreciei o seu trabalho de descodificação de como se faz o aproveitamento de certos símbolos de individualidade cultural e concordo plenamente quando diz que “a interdição estatal do véu só pode acabar mal e servir aos fundamentalistas. Pode, até, fazer pior - retirar das escolas públicas as filhas das famílias muçulmanas em regressão conservadora” e que “Melhor seria que Chirac desse direito de voto aos imigrantes, independentemente da reciprocidade da medida. Por aqui - e não pela interdição - se deve construir o moderno contrato para os países multiculturais do velho continente

De Daniel Oliveira, discordo totalmente do paralelismo que faz entre o uso de véu e a legalização do aborto :”as cedências que hoje se fizerem ao fundamentalismo islâmico (permitindo, por exemplo, que as alunas cubram o rosto e assim a sua individualidade), estão a ser feitas, ao mesmo tempo, ao seu congénere cristão. Não nos podemos bater pela legalização do aborto e permitir, no mesmo dia, a humilhação de cidadãs de religião islâmica”.

Enquanto num caso estamos na presença de um direito de liberdade de expressão relacionado com culturalidade que tem origem no seio de pequenas comunidades numa Europa que desde há muito é multicultural (neste caso em frança), no outro estamos na presença do direito à tomada de decisão individual a um nível diferente. Parece-me uma comparação infeliz.


GIN

MULTICULTURALIDADE E XENOFOBIA (1)

Publicado por agineotonico às 01:23 PM | Comentários (1)

dezembro 27, 2003

PROPOSTA PARA BURACOS DE LISBOA (2)

Publicado por agineotonico às 07:18 PM

SOLUÇÕES PARA BURACOS DE LISBOA

Publicado por agineotonico às 05:59 PM

EU NÃO TINHA ESTE ROSTO

"Eu não tinha este rosto de hoje, assim calmo, assim magro, assim triste, nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força, tão paradas e frias e mortas, eu não tinha este coração que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança, tão simples, tão certa, tão fácil.
Em que espelho ficou perdida a minha face?"

(Cecília Meireiles)

Publicado por agineotonico às 05:50 PM

dezembro 26, 2003

INTELIGÊNCIA EMOCIONAL NA BLOGOSFERA


Depois de uns tempos afastada da blogueirice, vim hoje deitar um olhar por aqui.
Talvez que a distância criada me tenha feito olhar para o que aqui se passa com outros olhos, ou simplesmente me tenha levado a questionar o que andamos a fazer, qual a função deste espaço e do tempo que aqui “perdemos”.

Reparei que leio os mesmos comentários, das mesmas pessoas, nada muda, tudo se mantém inalterável ... e pensei:

“vale a pena isto?”; “temos aqui um espaço de discussão aberto ou um espaço estilo assembleia da república onde já sabemos qual a posição de cada um e esgrimimos os argumentos que todos conhecemos e que não vamos mudar?”; “há ainda algum espaço para discussão das coisas da vida sem que toda a gente tenha certezas absolutas sobre elas e que valha a pena colocar em comum?”.

Daí dar-me uma vontade imensa de começar a divagar sobre a “inteligência emocional” e sobre o que é “uma pessoa culta”. Acho que inteligência emocional ajuda a definir o que é uma “pessoa culta”, para além de ajudar a outras definições.

Temos por “pessoa culta”, aquela que tem “grande desenvolvimento intelectual”, ou “grande saber”.
Mas confesso que não estou inteiramente de acordo com a leitura que se faz disto. Falta aqui um aspecto que considero fundamental ter em conta – a sabedoria. Sabedoria no sentido de um conhecimento das coisas realmente adquirido.

Ler muitos livros e debitar conhecimentos, muitas vezes a despropósito, como vejo por aqui, não é cultura. É como um actor de teatro que decora um papel e representa um personagem que não é ele próprio. Não há lugar para a autenticidade do actor, apenas para a representação desse personagem e, na maioria das vezes, mal representado.

“Pessoa culta”, para mim, é aquela que consegue coerência entre aquilo que “debita” e os seus valores individuais, a forma como se relaciona com as coisas e com os outros, a forma como vive a sua vida.

Por isso me apetece tanto divagar sobre a “inteligência emocional”.


GIN

INTELIGÊNCIA EMOCIONAL NA BLOGOSFERA

Publicado por agineotonico às 08:16 PM | Comentários (4)

Mães adolescentes

No meu post sobre mães adolescentes "Akkenatton" postou este comentário:

"Qual estudo da UNICEF???
Da próxima vez que inventarem mentiras como esta pelo menos parem para pensar e fazer contas.

Por ano nascem +/- 115.000 crianças o que equivale a mais ao menos 75.000 mães dada a taxa de ocurrencia de gémeos.
temos então 75*20=1.400 mães adolescentes.
Uma vez que a adolescencia decorre entre os 14 e os 18 anos ,temos 4*1.400=
Ou seja, mesmo que alguma vez tivesse havido um estudo da Unicef a revelar 22 mães adolescentes em mil, nunca poderia haver mais de 5.600 mães adolescentes.

Não inventem ok?"

Deixo aqui referência a páginas que falam do assunto:

http://www.jovem.te.pt/servlets/Lazer?P=Sexualidade&ID=3676
http://primeirasedicoes.expresso.pt/ed1349/pu-primeira.asp
http://lusomed.sapo.pt/Xn323/373341.html

http://www.esec-mtorga-massama.rcts.pt/projec8d/Paginas/Gravidez.html este do instituto naciona de estatística diz :
Gravidez na Adolescência

Em relação ao número de mães adolescentes existentes em Portugal, dados fornecidos pelo Instituto Nacional de Estatística, relativos a 1998, apontam para um total de 7411 nascimentos, ocorridos em mães cujas idades vão dos 12 aos 19 anos. Se por um lado se tem verificado uma maior preocupação por parte dos órgãos competentes para formar os jovens nas áreas da sexualidade e da contracepção, também é verdade que o actual ritmo de vida leva a que muitos jovens passem muito do seu tempo sozinhos em casa, carentes de afecto, o que muitas vezes determina um início prematuro da vida sexual, nem sempre com resultados agradáveis, como o atestam os números que atrás referimos"


GIN

Publicado por agineotonico às 10:21 AM | Comentários (2)

dezembro 19, 2003

ERRO MÉDICO

No http://medicoexplicamedicinaaintelectuais.blogspot.com/ fala-se do erro médico.
Concordo em absoluto com o que se escreve.
Contudo interrogo-me para quando um seguro médico capaz?
Quando haverá alguém que denuncie que o seguro que todos os médicos têm é aquilo que se pode chamar uma grande treta ...
Passo a explicar:
O seguro médico só é válido se for provada negligência.
Negligência é sempre difícil de provar mas o doente sofre com complicações inerentes ao tratamento.

Um doente operado à face, ou a um tumor da glândula parótida, por exemplo, pode sofrer um corte de um nervo e ficar desfigurado. O acto pode não ser negligência ... as variantes anatómicas são muitas e existe o risco inerente à patologia.

Serve isto para dizer que, por vezes, há muitas complicações que podem surgir no pré, intra ou pós-operatório que o seguro não prevê, não paga e não cobre, colocando o médico na difícil situação de resolver o problema com o doente, ou mais grave ainda, coloca os médicos na situação de não arriscarem tentar salvar os doentes em determinadas situações limite.

É também importante que os hospitais definam claramente a responsabilidade partilhada: muitos erros, acidentes e complicações são cometidos por falta ou inadequação dos meios de diagnóstico ou de tratamento, por inexistência de equipamentos específicos, por deficientes condições de trabalho, por atendimento de um número excessivo de doentes que faz com que não possam dedicar um período mais longo de observação (caso das urgências), enfim, por um conjunto de situações que não podem ser imputadas exclusivamente aos médicos.

Nestes casos a responsabilidade tem de ser compartilhada com as administrações dos hospitais e, ainda, em certos casos com outras entidades – todos nos lembramos do sangue que contaminou com HIV os hemofílicos, ou dos hemodialisados de Évora.

Parece ser conveniente que se clarifique, também, as responsabilidades individuais e colectivas quando se trabalha em equipa, de forma a saber a quem compete o quê, quem tem que ser responsabilizado individualmente para além da culpa colectiva.

Penso que é fundamental caminhar para a criação de seguros, como existem noutros países, que cobrem quer os casos de negligência, quer os casos de complicações que surgem dos riscos inerentes à patologia ou a outras variantes.

Estes seguros, para além de serem dirigidos aos médicos que terão evidentemente de pagar mais dinheiro por eles, deveriam ser igualmente obrigatórios para os hospitais públicos no sentido de assumirem as suas responsabilidades partilhadas com os actos dos médicos e outro pessoal hospitalar, quer ainda para cobrir os problemas que a ele, enquanto entidade, podem ser imputados.

E só por curiosidade por acaso sabem que os Hospitais públicos não têm seguro?
O seguro é o Estado. Não sei como ficou em relação a esta nova modalidade dos SA, mas que alguém nos defenda quando tivermos um problema qualquer derivado dá má gestão ou das poupanças que aqui se tendem a fazer ....


TÓNICO

Publicado por agineotonico às 04:33 PM

dezembro 18, 2003

INTERRUPÇÃO VOLUNTÁRIA DA GRAVIDEZ


No “http://medicoexplicamedicinaaintelectuais.blogspot.com/” conta-se uma história que, infelizmente todos nós com mais de 25 anos de profissão, já vimos.

Com mais pormenor menos pormenor não há nenhum médico, sobretudo generalista, que não tenha uma história de uma doente que a ele recorre por causa de um aborto.
Muitos como nós que actuamos em bairros periféricos de uma grande cidade, já tivemos de emprestar dinheiro para a mulher ... nossa doente ... e já nossa amiga ... possa resolver a situação.
Já o fiz e disso não me envergonho.
Situações complexas para o médico e para a mulher que vem normalmente em desespero para tentar resolver a situação.
Será que um dia os nossos deputados poderão ter consciência desta situação?
Será que não têm família, ou não conhecem familiares, ou amigas que já fizeram abortos em situações complicadas.?

Será que nunca nenhum dos nossos deputados teve de ir com a mulher a alguém para uma interrupção voluntária da gravidez?

Não acredito que nenhum dos deputados não tenha já passado por esta situação, dizerem que não conhecem esta realidade é fazer filosofia barata.


TÓNICO

Publicado por agineotonico às 04:11 PM | Comentários (7)

"TRAGÉDIA EM SEIS ACTOS"


A Direcção Regional de Lisboa do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses fez um comunicado à população sobre os Hospitais SA.

Um ano de Sociedades Anónimas, e destinado a fornecer dados que permitam aos cidadãos a reflexão sobre as mudanças operadas por este Ministério, e claro as suas consequências.

Dela destaca-se o título uma “Tragédia em Seis Actos” (H. St Marta, IPO, Pulido Valente, Egas Moniz, S. Francisco Xavier, e Sta. Cruz) e os vários problemas detectados:

- Encerramento parcial de alguns serviços
- Aumento do horário de alguns enfermeiros
- Redução da retribuição
- Subcontratação de enfermeiros
- Aumento dos ritmos de trabalho
- Contratos a Termo – Instabilidade profissional
- Saída em larga escala de enfermeiros contratados
- Desmotivação progressiva e generalizada dos profissionais de enfermagem
- Maior dificuldade em garantir uma boa assistência aos doentes internados
- Maior instabilidade nos serviços
- Desenvolvimento de sentimentos de insegurança
- Falta de material

Como se vê, e apesar da propaganda do Ministro, os que mais sofrem são os doentes.


TÓNICO

Publicado por agineotonico às 04:01 PM

dezembro 17, 2003

APROVEITAMENTO DE RECURSOS EXISTENTES

Publicado por agineotonico às 09:29 PM | Comentários (3)

ACABOU-SE O APOIO

COM A PRIVATIZAÇÃO DO HOSPITAL DO BARREIRO


D. tem 5 anos e só este ano conseguiu vaga para entrar no pré-escolar da rede pública do Barreiro.

Vive com a avó e uns tios. Nunca conheceu o pai e a mãe é uma adolescente ex-toxicodependente.

Esta família nunca entendeu a necessidade de D. ingressar mais cedo na pré-escolar e não teria dinheiro para o colocar num privado, mesmo que solidariedade social.

Foi pedida uma avaliação de D. porque apresentava dificuldades acentuadas de linguagem.
A avaliação foi realizada pela equipa de apoios educativos da Drel, que reconheceu as dificuldades de D. e a necessidade de ser acompanhado para conseguir atingir um nível de linguagem que lhe permita ingressar no 1º Ciclo e prosseguir com a sua escolaridade com sucesso.

Foi encaminhado para o Hospital do Barreiro agora privatizado e recebeu como resposta que não há terapeuta, que a lista de espera é grande e que a dificuldade da criança não é grave e que, por isso, não tem direito a fazer terapia da fala.

Seria interessante, ou melhor, seria fundamental fazer uma avaliação das crianças que no hospital do Barreiro estão, agora que foi privatizado, a ter acesso à terapia da fala porque estão a ser recusadas crianças com necessidades efectivas mas de baixos recursos económicos.

A Segurança Social prevê um subsídio à família que paga parte destes apoios, mas quando ele é cedido, dilui-se em outras necessidades destas famílias muito carenciadas.

Quando se faz a privatização da Saúde, devem criar-se mecanismos que continuem a assegurar a prestação destes apoios que os serviços de saúde públicos prestavam às populações mais carenciadas.

Estes casos, e há muitos outros, são casos de crianças de famílias que não têm nem a capacidade de perceber essa necessidade das suas crianças, nem capacidades económicas para recorrer a serviços privados.

Os professores sentem que não têm preparação para dar resposta a estes casos de crianças que acumulam dificuldades, que estão a ser abandonados pelas medidas recentes na área da saúde e que vêm juntar-se aos já muitos casos problemáticos da sua escola.

O Ministério da Educação, pelo seu lado, faz de conta que não tem nada a ver com isso e não assume como suas, as responsabilidades que o seu colega da saúde deixou de assumir.

O Ministério da Educação deveria assegurar a constituição de equipas multidisciplinares nos agrupamentos escolares que assegurassem um conjunto de apoios fundamentais a estas crianças.

Mas não. A verdade é que ninguém aposta nestas crianças. São crianças que estão condenadas à partida a ser marginais.


GIN

Publicado por agineotonico às 08:14 PM

ACABOU-SE O APOIO

COM A PRIVATIZAÇÃO DOS HOSPITAIS

M. tem 5 anos, faz 6 anos em Setembro de 2004 pelo que entrará para o 1º ciclo no próximo ano lectivo. Frequenta um Jardim de Infância da rede pública no Barreiro.

Foi avaliado pela equipa dos Apoios Educativos da DREL e identificado como tendo necessidade de fazer terapia da fala.

É enviado para a Equipa do Hospital do Barreiro que confirma o diagnóstico e inicia as sessões de terapia da fala, duas vezes por semana.

As educadoras consideram que ele tem vindo a fazer bons progressos com aquele apoio.

M. é o mais novo de uma família problemática, com pai alcoólico e mãe desempregada, 5 irmãos todos com insucesso escolar.

O Hospital do Barreiro foi privatizado.

A terapeuta que o seguia neste hospital, diz que M. não pode continuar com a terapia da fala porque existem outras crianças em lista de espera com mais necessidades de acompanhamento.

Mas na verdade o que se passa é que, para a estatística do Hospital do Barreiro agora privatizado, o importante é a rotatividade, ou seja, poderem dizer que atenderam muitas crianças com necessidades de apoio e que acabaram com a lista de espera para a terapia da fala.

Fazem 5 sessões por criança e acabou o apoio. Não há acompanhamento real de crianças que virão engrossar as fileiras do insucesso escolar e que não têm capacidade económica para recorrerem à terapia privada.

Por muito que o Ministro fale da melhoria do Sistema de Saúde Pública, é no que se passa na prática, no concreto, que se vê para quem é que este sistema está a melhorar.
A desatenção sobre estes casos, sobre pessoas socialmente fragilizadas e sem capacidade de entender até que ponto estes apoios, neste caso, a falta deles, são importantes, é grave. É grave porque se está a desinvestir na saúde de crianças que mais tarde terão custos sociais muito mais elevados.


GIN

ACABOU-SE O APOIO

Publicado por agineotonico às 06:02 PM

EM DEFESA DO SOBREIRO E DO LINCE IBÉRICO


A World WildLife Fund (WWF), a maior organização ambientalista do mundo, não tem esquecido Portugal nas suas campanhas pela defesa do ambiente.

Em 2002 lançou uma campanha para salvar o lince ibérico da extinção, através do incremento do cultivo de sobreiros e pelo fim da produção de rolhas de plástico.

Esta organização ambientalista, que defende o progresso através de uma política de desenvolvimento sustentável, considera que ao abandonar a utilização da cortiça no fabrico de rolhas, se abandonou o cultivo do sobreiro.

Ao abandonar este cultivo, o lince ibérico perdeu o seu habitat natural, que são estas matas, e deixou de ter onde viver.

Assim, a ligação entre estes três elementos, salvaria da extinção duas espécies ameaçadas: o sobreiro e o lince ibérico.

A desaparecer o lince ibérico, seria a primeira extinção a ocorrer em felinos.


GIN

Publicado por agineotonico às 03:46 PM | Comentários (5)

PAUL NEWMAN


Teve fama no cinema.
Foi dono de uma equipa de competição automóvel e um piloto razoável.
Agora é um homem de sucesso na indústria alimentar em parceria com o escritor A. E. Hotcher.

Nada disto me pareceria importante de referir, não fosse o caso de este seu negócio, que rende anualmente mais de 10 milhões de dólares, reverter a favor de Instituições de caridade.

GIN

Publicado por agineotonico às 02:04 PM | Comentários (2)

dezembro 16, 2003

INTERRUPÇÃO VOLUNTÁRIA DA GRAVIDEZ

Quando o cinismo e a hipocrisia dão lugar à solidariedade

"Dados mais detalhados fornecidos ao PÚBLICO pelo Ministério da Saúde no ano passado (e relativos ao segundo semestre de 2001) permitiam ir mais longe:

em apenas seis meses, o número de situações de complicação pós-aborto clandestino chegadas aos hospitais representava mais do dobro das interrupções feitas ao abrigo da lei.
No segundo semestre de 2001, para 242 abortos legais, foram registados 578 internamentos devido a complicações na sequência de abortos clandestinos, 34 dos quais devido a infecção generalizada (sepsis) e cinco por perfurações do útero. O grosso das situações aparecia então referenciada como aborto "incompleto" ou "retido" (quando o feto morre mas o útero não esvazia). "


GIN

Publicado por agineotonico às 07:20 AM

dezembro 15, 2003

NATAL: miscelânea de influências


Foi apenas no séc. IV que o Papa Júlio I fixou, por decreto, a data de 25 de Dezembro para a celebração, no mundo ocidental, do nascimento de cristo numa tentativa de suplantar as festas pagãs dedicadas ao Solstício de Inverno e a “Saturnália” dos romanos.

Para a igreja católica latina, segundo o calendário tradicional, o natal ocorria no "Advento" (chegada), que se iniciava no 4º Domingo antes do natal e ao longo desse tempo os cristãos preparavam-se para festejar a vinda de cristo a 25 de Dezembro.
Desconhecia-se, então, a data precisa do seu nascimento.
A Igreja não aprovava as festas pagãs.

Não conseguindo fazer com que os “bárbaros” abandonassem as crenças nos seus tradicionais deuses pagãos e nos espíritos da natureza, assimilaram nesta comemoração muitos dos rituais desses povos atribuindo-lhes um significado diferente.

Pode dizer-se que a comemoração do Natal passou a ser uma mistura de remanescentes pagãos cristianizados e de práticas cristãs barbarizadas.

Os povos pagãos festejavam os dias que precediam esta data, com o objectivo de apaziguar o Sol e fazer com que este aparecesse de novo, fazendo com que o Inverno fosse mais suave.
Após o solstício os dias ficam maiores e mais claros, isto significava para eles luz, alegria e esperança de boas colheitas

Em Roma festejava-se o triunfo de Saturno sobre Júpiter. Saturno era a idade de ouro de Roma, por isso era associado ao Sol. Os romanos festejavam esta festa próximo do solstício. Acendiam-se velas e grandes fogueiras para iluminar a noite, havia muita comida e ofereciam-se presentes para apaziguar a deusa das colheitas.

Através dos séculos o carácter pagão destas celebrações foi progressivamente absorvido pela celebração cristã, convertendo-se numa festa familiar com tradições pagãs, germãnicas e romanas.

O Pai Natal que se baseava na figura de São Nicolau e que se vestia de diferentes formas, de cores coloridas e com uma coroa de azevinho, no início do séc. XX torna-se figura das campanhas de inverno da coca cola e, desde essa data, passa a vestir-se com as suas cores, vermelho e branco.

Hoje em dia, para a generalidade das pessoas, o simbolismo desta data esbateu-se no carácter consumista das sociedades actuais.


GIN

Publicado por agineotonico às 09:03 PM

MÃES ADOLESCENTES


Um estudo da UNICEF refere que existem em Portugal 28 000 mães adolescentes.

Um relatório das Nações Unidas – “Situação da População Mundial” – revela que, em Portugal, 22 mães em cada mil são adolescentes.

É uma gravidez que decorre da falta de educação sexual na família e na escola, referem alguns médicos que lidam de perto com estas situações.

São gravidezes não planeadas, não desejadas, em que muitas vezes a criança que nasce é rejeitada por toda a família.

São gravidezes precoces de raparigas que vivem em situações limite.
Há situações em que a gravidez surge de abusos sexuais de homens mais velhos e, por vezes, familiares.

A maioria das adolescentes grávidas vivem em bairros sociais, no seio de famílias problemáticas e desintegradas socialmente.


GIN

Publicado por agineotonico às 06:34 PM | Comentários (2)

COMUNICAÇÃO SOCIAL: quem diz o quê


“A nossa profissão mudou profundamente. Dantes, o jornalista era um especialista. A profissão contava com algumas grandes figuras e os efectivos eram limitados. Este tipo de jornalismo tem vindo a desaparecer progressivamente de há 20 anos para cá. O que era um pequeno grupo transformou-se numa classe. Ao leccionar cursos na Universidade de Madrid, verifiquei que, entre as redacções e as escolas se arrolavam, só nesta cidade, 35 000 jornalistas! Nos Estados Unidos, usa-se hoje o termo media workers para designar as pessoas que trabalham nos jornais. Isso ilustra o anonimato. Basta olhar para as assinaturas: nenhuma é conhecida. Mesmo na televisão, antes de chegar ao ecrã, uma notícia passa por dezenas de mãos, é cortada, fragmentada, para no final já não poder ser identificável com um autor. O autor desapareceu. É importante isto, porque, neste contexto, já ninguém é directamente responsável.”
(Ryszard Kapuscinsky, citado por Ramonet . I. in “A Tirania da Comunicação”)


GIN

COMUNICAÇÃO SOCIAL: quem diz o quê

Publicado por agineotonico às 04:35 PM | Comentários (1)

A PALAVRA AOS AUTORES - Marguerite Yourcenar


"Mesmo que um dia o teu espelho te não mostre mais que um retrato deformado onde não ouses reconhecer-te, existirá sempre noutro sítio o reflexo imóvel de ti. E desse modo imobilizarei a tua alma também.
Tu já não me amas. Se consentes em ouvir-me durante uma hora é porque somos sempre indulgentes com aqueles que vamos deixar. Ligaste-me e agora desligas-me. Não te censuro, Gherardo. O amor de alguém é sempre um presente tão inesperado e tão pouco merecido que devemos espantar-nos que não no-lo retirem mais cedo. Não estou inquieto por aqueles que ainda não conheces, ao encontro de quem vais e que porventura te esperam: aquele que eles vão conhecer será diferente daquele que eu julguei conhecer e creio amar. Não se possui ninguém (mesmo os que pecam não o conseguem) e, sendo a arte a única forma de posse verdadeira, o que importa é recriar um ser e não prendê-lo. Gherardo, não te enganes sobre as minhas lágrimas: vale mais que os que amamos partam quando ainda conseguimos chorá-los. Se ficasses, talvez a tua presença, ao sobrepor-se-lhe, enfraquecesse a imagem que me importa conservar dela ....
... só se possuem eternamente os amigos de quem nos separamos."

(Marguerite Yourcenar – “O TEMPO – esse grande escultor”)


GIN

Publicado por agineotonico às 01:29 PM | Comentários (1)

dezembro 14, 2003

COMUNICAÇÃO SOCIAL: quem diz o quê?

“Cepticismo. Desconfiança. Incredulidade. São estes, segundo os media, os sentimentos dominantes dos cidadãos. De uma forma confusa, toda a gente sente bem que alguma coisa não está bem no funcionamento do sistema da informação ...

Ninguém nega a função indispensável da comunicação de massas em democracia, pelo contrário. A informação continua a ser essencial para uma boa evolução da sociedade, e sabemos que não é possível existir democracia sem uma boa rede de comunicação e sem o máximo de informação livre. Toda a gente está absolutamente convencida de que é graças à informação que o ser humano vive como um ser livre. E, apesar disso, a suspeita pesa sobre os media.”

“Questionamo-nos sobre o futuro dos jornalistas. Eles estão em vias de extinção. O sistema já não os quer. Podia funcionar sem eles.

Ou, digamos antes, que aceita funcionar com eles, mas atribuindo-lhes um papel menos decisivo: o de operários numa produção em cadeia, como Charlot nos Tempos Modernos ... Dito de outra maneira, rebaixando-os para a categoria de retocadores de despachos de agência.

A qualidade o trabalho dos jornalistas está em vias de regressão e, com a precarização galopante da profissão, acontece o mesmo com o seu estatuto social ...

... Aos poucos , o sector dos media foi ganho, por sua vez, pelo neoliberalismo, e a informação tende a ser cada vez mais uma sub-empreitada entregue a jornalistas precários prontos para todos os fretes que trabalham as matérias que lhes são fornecidas e fabricam uma informação por encomenda.”
(in A Tirania da Comunicação – Ignacio Ramonet)


GIN

COMUNICAÇÃO SOCIAL: quem diz o quê?

Publicado por agineotonico às 09:35 PM

PALAVRA AOS AUTORES-TEOLINDA GERSÃO


“A ausência de sonho como alicerce de uma sociedade inteira, disse ela, uma sociedade sem desejos, sem paixão, e por isso ordenada, programada, bem adaptada ao seu próprio trilho, é preciso esmagar o desejo como forma de rotura, porque se de repente todos começassem a desejar, a imaginar, o mundo conhecido cairia por terra e entrar-se-ia noutro, diferente, e é essa possibilidade aterradora que é preciso esmagar a todo o custo, eu bem sei que seria perigoso, porque se de repente alguém dissesse: quem odiar a sua vida ao meio dia abra a janela e salte, toda a gente saltaria ao bater do meio dia e a rua ficaria de repente cheia de pessoas inadvertidamente mortas, mas por outro lado só quando se compreende que a alternativa é mudar a vida ou saltar da janela se adquire a exacta perspectiva das coisas.”
(in O Silêncio – Teolinda Gersão)


GIN

PALAVRA DOS AUTORES

Publicado por agineotonico às 12:28 PM

dezembro 13, 2003

VOTO DE BOAS FESTAS


GIN

Publicado por agineotonico às 02:44 PM | Comentários (3)

HAJA QUEM OS PÁRE!!


Em Portugal é assim:
- combate-se a evasão fiscal, penalizando os que pagam impostos e fazendo estranhos acordos com quem não paga e deixando prescrever outros;

- contem-se a despesa pública, de entre outras formas, despedindo funcionários e admitindo assessores com ordenados dignos de quadros superiores de multinacionais; aumenta-se a gasolina, gasóleo, transportes públicos e mantém-se uma frota de carros de alta cilindrada ao serviço dos ministérios, quer para serem utilizados em serviço, quer para usufruto pessoal;

- fazem-se alterações no Sistema Nacional de Saúde (leia-se contém-se a despesa pública e partilham-se benesses com amigos), privatizando a saúde e aumentando os seus já elevados custos para a maioria da população portuguesa, sem que esteja provado que há uma melhoria real da prestação de cuidados;

Poder-se-ia, infelizmente, apresentar uma lista interminável de atropelos, de corrupção e injustiças, como o que recentemente se passa com a “Lusíada”, com as cunhas, com as nomeações sem concurso público, com a venda a retalho dos bens públicos, etc.

Mas agora, Bagão Félix, a quem já aqui chamei de “Ministro Cinzento”, vem com mais uma “medida de ajuste de contas”:
“as novas regras que visam penalizar as baixas de curta duração”.

Que pessoas desinformadas considerem que se combate a fraude com medidas punitivas para todos, com o aumento de uma repressão injusta e generalizada, eu não aceito mas percebo.

Que o Ministro Cinzento utilize demagogia para poupar dinheiro e obrigar os trabalhadores a recorrerem aos seguros privados, acho inaceitável.

Se há baixas fraudulentas, criem-se mecanismos legais de fiscalização e punição dos infractores.

Quando Bagão Féliz diz que estas medidas visam “moralizar a atribuição de baixas de curta duração” e “prevenir situações abusivas”, sabe que está a mentir deliberadamente.

Se assim é, porque inclui nestas medidas, a retirada do regime de excepção das baixas por tuberculose, por exemplo?

Estas medidas vão resultar, essencialmente, numa redução da qualidade de saúde dos trabalhadores portugueses, vai acabar com a prevenção em saúde, vai penalizar as mulheres que têm filhos e os filhos a quem se evitará resguardar quando estão doentes para não faltar ao trabalho, vai penalizar os trabalhadores que têm filhos deficientes, vai penalizar os trabalhadores que padecem de doenças que precisam de acompanhamento regular .... vai penalizar todos os trabalhadores menos os que metem baixas fraudulentas, porque esses, continuarão a metê-las sabendo as regras do jogo.


GIN

Publicado por agineotonico às 12:32 PM | Comentários (1)

JUAN JOSÉ TAMAYO

Diz sobre a inclusão do nome de Deus na Constituição Europeia:

“Não concordo. Se o cristianismo é, de facto, uma das muitas raízes de construção da Europa, devem também ser citadas as raízes judaicas, que são muito fortes, e as raízes muçulmanas, que são muito sólidas, bem como as raízes do pensamento grego e do direito romano.
Citar uma só destas tradições suporia uma confessionalização da Constituição, que deve ser laica e secularizada para garantir o pluralismo religioso.”

Parafraseando Hans Kung, diz que “não há paz no mundo sem paz entre as religiões e que não há paz entre religiões sem diálogo entre elas mesmas. Juntamente com este diálogo deve promover-se o diálogo intercultural. O cristianismo não pode impor o seu modelo ocidental ao resto do mundo, mas deve reconhecer, respeitar e incorporar no seu seio as diferentes culturas dos povos onde está presente ... O pensamento único da globalização neoliberal coincide plenamente com o pensamento único da religião católica”


Juan José Tamayo, autodidacta crítico, estudou Filosofia, teologia e Ciências Sociais, em Madrid e Salamanca. Escreve no El País, Correo de Bilbao e Concilium, é fundador e actual secretário-geral da Associação Espanhola de Teólogos e Teólogas João XXIII, é Presidente da Associação Pró-Direitos Humanos em Espanha.
(in Visão 562)


GIN

Publicado por agineotonico às 11:23 AM | Comentários (1)

INCENTIVOS

O Ministro da saúde ainda não percebeu como se trabalha nos hospitais SA.
Parece, indiscutivelmente, que não há diálogo entre os vários colaboradores do Ministério e tudo anda sem “Rei nem Roque”.

Passo a explicar:
O Sr. Ministro veio dizer que a partir de 2004 vai haver incentivos para os médicos que trabalham nos Hospitais SA.

Mas incentivos para quê??

Para trabalhar para além dos 5% estipulados?
Ou o Sr. Ministro desconhece que a Unidade de Missão fez com que o aumento de produção de um hospital não possa ultrapassar os 5% sob risco de ser penalizado?

Se forem mais os doentes atendidos e tratados e, claro, doentes do Serviço Nacional de Saúde (a grande maioria), o hospital só recebe a 75% dos custos gastos e isso não interessa aos SA.

Portanto, para quê incentivos?
Para continuar a fazer a produção do costume?

É fácil dizer o que diz o Dr. Luís Filipe Pereira sem ter uma avaliação independente a apresentar os resultados. Tenho sérias dúvidas que algum hospital empresa tenha efectivamente aumentado a sua produção.

O que unicamente aconteceu, foi a apresentação de dados que dão conta de uma melhoria da rentabilidade. Mas estes dados resultam de uma análise mais cuidada da produção já existente e, claro, de uma alteração na análise estatística.

Por acaso já se perguntou serviço a serviço, se algum médico dos hospitais empresa, entre 2002 e 2003, mudou a sua prática assistencial (prestação de cuidados) de forma a adaptá-la às novas regras??

Posso estar enganado, mas na zona de Lisboa, que conheço melhor, a resposta será praticamente zero.

As únicas medidas que podemos dizer que aconteceram, foi uma tentativa desesperada de dar altas precoces e o aumento dos célebres PECLECs de recuperação das listas de espera, por parte de médicos que podem assim ganhar mais algum dinheiro.

E ainda a propósito disto, qual será o Hospital SA que de manhã um cirurgião opera todos os doentes com cálculos na vesícula por cirurgia laparoscópica (através de pequenos furos, que permitem uma recuperação excelente) e à tarde, no PECLEC, o mesmo cirurgião opera todos por via aberta (longa incisão de recuperação mais lenta) porque é mais fácil de fazer e, sobretudo, mais rápida?


TÓNICO

Publicado por agineotonico às 10:55 AM | Comentários (2)

dezembro 12, 2003

COMUNICAÇÃO SOCIAL: quem diz o quê.(6)

No seu discurso de abertura da Cimeira sobre a Sociedade da Informação, o Secretário-Geral da ONU, Kofi Annan, apelou à comunidade internacional para que ponha as tecnologias de informação ao serviço da democracia.

Kofi Annan defendeu que "a liberdade de opinião e de expressão é a pedra angular do desenvolvimento, da democracia e da paz".

Várias organizações não-governamentais, como a Repórteres Sem Fronteiras, acusam certos países de quererem utilizar a cimeira para legitimar o seu controlo sobre a Internet e reprimir os seus "ciber-dissidentes".

Na verdade, tudo está viciado à partida se atendermos às conclusões dos grupos de trabalho que antecederam esta Cimeira:

- "A questão do financiamento da expansão da Internet, de telemóveis, de computadores, de rádio e televisão, nos países pobres, ficou adiada";

- "No texto, as outras questões sensíveis - como a liberdade de expressão, o papel dos media, o controlo da Internet, e o respeito pela propriedade intelectual - também foram arrumadas em fórmulas de compromisso, deliberadamente vagas e ambíguas, e pela criação de grupos de trabalho";

- "O controlo mundial da Internet irá continuar, para já, a cargo de um organismo semi-privado norte-americano (o Icann - Internet Corporation Assigned Names and Numbers)";

- "A solução representa, em parte, uma vitória para os Estados Unidos que se opuseram à criação de uma nova instância reguladora da Internet, a funcionar na esfera das Nações Unidas";

- "O papel dos media acaba também por se resumir a uma declaração vaga, em que se reafirma "o respeito pelos princípios da liberdade de imprensa e de liberdade de informar", mas desafia os meios de comunicação social a "utilizar e a tratar a informação de maneira responsável".
(in Público)

GIN

COMUNICAÇÃO SOCIAL: quem diz o quê (6)

Publicado por agineotonico às 05:13 PM

UM HOSPITAL À SUA ESCOLHA

Sobre a notícia do Público 10/12/03 "Doentes vão passar a ser operados em hospital à sua escolha"

De acordo com o Ministro (atenção pode não ser o que pensam os colaboradores vide, por exemplo, o Dr. Paulo Ramalho em relação aos H. Universitários), os doentes que entraram em lista de espera depois de 30 de Junho de 2002 e cujo tempo para serem operados ultrapasse prazos clinicamente aceitáveis para o seu caso, podem ser operados em clínica privada.

Esta medida já existiu em anos anteriores mas sem qualquer consequência prática.

E porquê?
O problema é o clinicamente aceitável ...

Primeiro, quem define este parâmetro? O Ministério?

Como pode esta entidade, que tem uma lista de espera homogénea, ou seja, que não está organizada por critérios de prioridade, definir prazos clinicamente aceitáveis?

Será que uma hérnia gigante com episódios de dor, ou umas varizes com úlcera, ou umas cataratas num já quase invisual, terão a mesma prioridade que em doentes mais simples?

Actualmente, a lista de espera é homogénea, não tem definição de critérios, nem foi pedida à Ordem dos Médicos qualquer opinião sobre o assunto ...

Esta é mais uma medida para enganar o zé povinho e como não tem oposição informada que rebata consistentemente estes argumentos, lá vamos andando na mesma, ou para pior embalados nestas medidas aleatórias ....


TÓNICO

Publicado por agineotonico às 05:01 PM

EUA E DIREITOS HUMANOS

Cerca de 200 prisioneiros suspeitos de pertencerem aos grupos terroristas da Al-Qaeda ou aos Talibans, saíram da base americana de Guantanamo para os seus países de origem, fez saber o Pentágono.

Esqueceram-se foi de dizer as razões porque os mantiveram tanto tempo presos sem culpa formada ...

E não, não se trata do resultado das denúncias dos Comités de Defesa dos Direitos Humanos, que há muito vêm denunciando os atentados aos direitos destes presos às mãos dos americanos.

Tratou-se apenas de um problema de logística, já que poucos dias depois deram entrada na mesma base, mais 20 indíviduos presos pelos americanos no âmbito daquilo a que chamam "luta contra o terrorismo".


GIN

Publicado por agineotonico às 02:00 PM | Comentários (3)

PAMELA ANDERSON

Pamela Anderson disse, recentemente, que está a trabalhar na escola dos filhos aos Domingos.
"Estou a ensinar na escola dos meus filhos. Leio a Bíblia e ensino bons exemplos às crianças ... talvez eu tenha surpreendido. Quando se é loura, as pessoas têm poucas expectativas em relação a nós".

Pois ... mas será por causa da cor do cabelo ou ... ?

GIN

Publicado por agineotonico às 01:42 PM | Comentários (3)

dezembro 09, 2003

JIMMY CARTER - MAIS UM NÃO A BUSH

Jimmy Carter, Prémio Nobel da Paz de 2002, Ex-Presidente dos EUA, Engenheiro Nuclear, Agricultor e Activista Humanitário diz, numa entrevista à TIMES Magazine, “vou apoiar quem eu ache que terá mais probabilidades de vencer Bush em Novembro de 2004”.

Jimmy Carter considera que a actual Adminstração prejudicou o processo de paz israelo-árabe porque abandonou o compromisso bipartidário e se aliou, claramente, a Sharon.

Em resposta às críticas que lhe dirigem quanto à sua presidência dos Estados Unidos, diz: “mantivemos a paz, conservámos o nosso país seguro, promovemos os direitos humanos em todo o mundo, normalizámos as relações com a china, estabelecemos acordos nucleares com a URSS, conseguimos levar a paz a Israel e ao Egipto. Sinto-me bem com a minha Administração”.


GIN

Publicado por agineotonico às 09:45 PM | Comentários (1)

dezembro 08, 2003

MARIA FILOMENA MÓNICA

“Pela sua natureza, o LUX é uma instituição que deve ser frequentada pela aristocracia, que tem como vocação o bem vestir e que deve adoptar como critério a exigência. Não é isso que se passa em Portugal. Devido à irresponsabilidade dos governos, ao populismo dos parlamentares e à covardia dos donos, o LUX degradou-se para além do que é razoável.”

Quase que apetecia continuar a brincar não fosse ser tão sério o assunto.

Com esta posição de Filomena Mónica, eu, e muitas pessoas que conheço que são bons profissionais com cursos superiores em diversas áreas, que somos profissionalmente reconhecidos e que não tivemos a graça de nascer aristocratas, estaríamos condenados ao então curso comercial, ou, no meu caso, a um curso de corte e costura para não ferir a vocação universalista da aristocracia intelectual.

Diz esta, que deduzo provir da melhor aristocracia portuguesa, que:

“Pela sua natureza, a Universidade é uma instituição que deve ser frequentada pela aristocracia intelectual, que tem como vocação a universalidade e que deve adoptar como critério a exigência. Não é isso que se passa em Portugal. Devido à irresponsabilidade dos governos, ao populismo dos parlamentares e à covardia dos docentes, a Universidade degradou-se para além do que é razoável.”

No momento em que ... se aprovou, no Senado da Universidade de Lisboa, o Regulamento sobre o funcionamento das Faculdades, o qual garantia a presença de representantes do corpo estudantil no Conselho Directivo ... fui das pessoas - penso até que o fiz sózinha - a votar contra a proposta ... para mim, eram claras as razões por detrás das opções dos representantes estudantis, era-me incompreensível que colegas, muitos deles, como os catedráticos da Faculdade de Direito, situados politicamente à minha direita, se comportassem da forma como se comportaram. Já má, a situação piorou.”


GIN

Publicado por agineotonico às 09:57 PM | Comentários (3)

PENA DE MORTE

John Mohammad foi condenado à cadeira eléctrica num tribunal da Virgínia.
Mohammad é um dos «snipers» que mataram 10 pessoas em Washington, o outro «sniper», Lee Boyd Malvo, de 19 anos está ser julgado em outro tribunal também na Virgínia.

A acusação não conseguiu provar que Mohammad “tenha sido o homem do gatilho”, contudo a conclusão do júri que o condenou é “que quem mata assim merece morrer” e que “teve a ver com a arrogância dele.
Os factos revelavam uma violência extrema e ele não demonstrou o mínimo remorso”
, isso fez com que fosse condenado à cadeira eléctrica.

Também nos EUA, foi julgado o recordista dos assassínios em série. Matou mais de 60 prostitutas, explicou em tribunal com todos os pormenores como estrangulava as vítimas sem mostrar arrependimento e chegou a gabar-se de ser “muito bom naquilo que fazia”: “escolhi as minhas vítimas entre as prostitutas porque odeio prostitutas. Escolhi-as também porque era mais fácil e porque ninguém iria dar por falta delas”.
A pretexto de ter colaborado com as autoridades não foi condenado à pena de morte.

Pergunto:
Não foi condenado porque apenas matou 60 prostitutas e como eram prostitutas não conta?
ou:
Um branco matar 60 prostitutas é menos grave que dois negros matarem 10 brancos?

A pena de morte é absolutamente injustificável, mas nestas condições, com esta arbitrariedade, ainda se torna mais insustentável.

GIN

Publicado por agineotonico às 09:23 PM | Comentários (2)

QUEIXAS SA

Maria José vive na Covilhã e tem um problema de coluna há vários anos. O médico que a atende no Hospital da Covilhã SA, diz-lhe que ela poderia ter também duas hérnias, mas para ter a certeza seria necessário fazer uma TAC, contudo não lhe receitou o exame.

Esta é apenas mais uma das queixas que se torna comum ouvir relativamente ao atendimento nos Hospitais SA.

Não está aqui em causa a justeza ou não desta medida tomada pelo Governo relativamente aos Hospitais, o que está em causa é a falta de garantias de que estes hospitais não prestarão um mau trabalho de Saúde Pública.

Em causa está, também, a falta de fiscalização e controle dos objectivos a que estes hospitais se propõem.

Na FOCUS n.º 216 vem um quadro com as principais acusações feitas aos SA

- Os doentes com problemas mais complexos são transferidos para outros hospitais, porque trazem mais custos e não permitem uma grande rotatividade de camas.

- É dada preferência aos doentes que vêm dos subsistemas de saúde (como ADSE, por exemplo).

- Economia de custos na prescrição de alguns exames.

- Para mostrar grande rotatividade nas camas, transferem-se doentes já internados para outros hospitais para dar lugar a um paciente que acaba de chegar.

- Há altas precoces.

- os tratamentos prescritos depois de uma alta eram feitos no centro de saúde, agora são feitos nos hospitais, o que implica a marcação prévia de uma consulta. E assim se aumenta o volume de produção.

- Os médicos e os enfermeiros com contratos individuais de trabalho dizem que as horas extraordinárias passam a ter outros pagamentos que não em dinheiro, proibições no gozo de dias por morte de familiares, restrições nas licenças de parto.

- Dificuldade na contratação de pessoal, que agora entram em contrato individual de trabalho e não para o quadro, como acontecia até aqui.

- Grande parte dos hospitais SA ainda não tem Conselhos Consultivos, o órgão que faz a ligação entre o hospital e a comunidade.

- Nomearam administradores que não têm nenhuma experiência em Saúde.


GIN

Publicado por agineotonico às 08:35 PM

ARGUMENTOS DE MAU GOSTO


Um post no blog vozdodeserto diz que “sobre o aborto há sempre que domesticar”.

Mais à frente, estabelece comparação entre as mulheres que se vêm na circunstância de recorrer à interrupção voluntária da gravidez com “uma recém-viúva caniche portuguesa prenha”.

É, de facto, de muito mau gosto.

Gostaria de responder à questão que coloca: se essa “caniche recém-viúva” fosse espécie única, naturalmente defenderia o “fruto do ventre do canídeo”.

Mas como nem as mulheres são canídeos, nem gatas (que tão bem, o autor deste post, domestica com “palmadas no lombo e dedadas vigorosas na testa), nem existe apenas uma única mulher em Portugal, esta questão não coloca nestes termos.

Também não se coloca em termos da “livre iniciativa pecaminosa ... para que todos os vícios possam ser supridos desde que de mútuo acordo entre os viciosos”, porque a forma como cada um entende a sua sexualidade é uma opção individual.

A questão que se coloca, é que o aborto clandestino em Portugal (cerca de 40.000 por ano) é uma realidade e as mulheres que a ele recorrem, sujeitam-se a graves riscos e mesmo à morte.

Assim sendo, a questão do aborto tem que ser encarada como um problema de saúde pública.

Outra questão que se coloca, é que muitas mulheres, de meios com poucos recursos económicos, recorrem ao aborto clandestino realizado sem quaisquer condições de segurança.

Mas as mulheres com maior capacidade económica, de entre elas as que pertencem às famílias dos senhores deputados que clamam contra a legalização do aborto, recorrem a clínicas aqui em Portugal ou no estrangeiro, que lhes proporcionam boas condições de segurança física e psicológica.

Por isso, esta discussão está eivada da mais profunda hipocrisia.


GIN

Publicado por agineotonico às 03:07 PM

dezembro 07, 2003

NO COMMENTS

Raide aéreo mata nove crianças
O major Christopher West, porta-voz do comando militar dos EUA no Afeganistão, disse que o alvo era um terrorista dentro de uma casa em Ghazni. Este foi de facto atingido mortalmente mas nove crianças que se encontravam perto foram também vítimas do ataque.

Em Setembro passado foram acidentalmente mortos oito nómadas durante um raide contra milícias suspeitas.

Em Junho de 2002, as forças norte-americanas mataram 48 civis quando uma bomba atingiu uma zona residencial na província de Uruzgan, sendo que 25 pertenciam a uma família que estava num casamento.

(NO COMMENTS)


GIN

Publicado por agineotonico às 03:51 PM

Sociedade Democrática (7) - A relação Pura

Em termos abstractos, uma “relação pura” seria uma relação assente na ligação emocional, onde os alicerces da sua própria continuidade derivasse da satisfação que ela proporciona.

Uma “relação pura” depende da confiança mútua, da abertura em relação ao outro e é, implicitamente, democrática, dela não fazem parte jogos de poder, coacção ou violência.

Uma boa relação define-se por ser uma relação entre iguais, onde há respeito mútuo, onde a comunicação permite ter em conta o ponto de vista do outro, onde o diálogo é a dinâmica da relação.

A “relação pura” é, pois, uma construção a dois, não aparece de geração espontânea nem nasce de uma qualquer medida legislativa.

Mesmo nas sociedades ocidentais, a questão da igualdade entre os sexos e a liberdade das mulheres não é um dado adquirido, é e continuará a ser uma luta quotidiana pela verdadeira democracia.


GIN

Publicado por agineotonico às 02:49 PM

Sociedade Democrática (6) - A Intimidade

A ideia de intimidade como componente do casamento é recente.

Se na família tradicional, a intimidade no casamento podia existir mas não era a razão da sua existência, para o casal é.

Para o casal a ligação emocional é o início do estabelecimento da relação e, mais tarde, a principal razão para a manter.

Na família tradicional o casamento era entendido como mais uma das fases da vida por onde se tinha de passar e os filhos eram vistos como um recurso de natureza económica.

Na família ocidental actual, o casamento quer dizer que o casal vive uma relação estável e os filhos constituem um pesado encargo económico, por isso tendem a ser uma decisão mais pensada.

Os antigos laços definidores das relações sociais têm vindo a ser substituídos pelas particularidades das relações que se desenvolvem com base na ligação emocional e, consequentemente, na intimidade.

As áreas que sofreram mais este impacto são as relações de amor e sexo, as relações entre pais e filhos e as relações de amizade.

Estas mudanças na instituição familiar e nas relações sociais são muito visíveis nas sociedades ocidentais mas começaram já a globalizar-se.

A igualdade entre os sexos e a liberdade das mulheres são consideradas pelos fundamentalistas como uma maldição e é isso que, visivelmente, define os grupos fundamentalistas religiosos em todo o mundo.

A manutenção de muitos dos aspectos da família tradicional é negativa, principalmente os que impedem o desenvolvimento económico e das democracias.

Sabe-se que desenvolvimento económico e democracia andam a par e passo com o nível de educação e de igualdade das mulheres.

A igualdade sexual é um princípio fundamental da realização individual e da democracia.

Os países que resistem à discussão sobre estas duas ideias - igualdade entre os sexos e a liberdade das mulheres – são países com governos autoritários ou com fortes influências de grupos fundamentalistas que tentam resistir à influência da globalização.

Penso que é nesta perspectiva que deve encarar-se as propostas de alteração da Mudawana apresentadas pelo rei de Marrocos Mohammed VII, ou seja, a consciência da inevitabilidade e necessidade destas alterações.

Esta medida, penso eu, apenas coloca a discussão na praça pública porque o caminho a percorrer é longo e complexo.
Uma “relação pura” de igualdade sexual é, ainda hoje, um conceito meramente abstracto apesar de todas as mudanças ocorridas.


GIN

Publicado por agineotonico às 01:01 PM

Sociedade Democrática (5)- Os Afectos


A “ Família tradicional”, apesar das diferenças que engloba, tinha como característica dominante, o constituir-se como uma unidade económica.

Os afectos não intervinham na decisão destas uniões e a desigualdade entre sexos era um factor intrínseco.

As mulheres passavam da propriedade dos pais, para a propriedade dos maridos porque era considerado fundamental assegurar a linhagem e os bens familiares através de filhos legítimos de mulheres legítimas.

É assim que se entende que na família tradicional, a sexualidade esteja ligada à ideia de reprodução e, para as mulheres, ligada directamente à gravidez.

Esta instituição familiar deu origem, também, a uma visão dualista da sexualidade feminina que levou a caracterizar para um lado as mulheres virtuosas, e para o outro, as libertinas.

Nas últimas décadas, têm vindo a dar-se alterações profundas na estrutura da família. Reprodução e sexualidade deixam de ser sinónimos, a sexualidade começa a ser entendida como algo que se pode moldar e alterar.

Mas a família tradicional de que falamos hoje, e que serve hoje de palco de contendas entre tradição e modernidade, é a que se desenvolveu a partir dos anos 50 quando poucas mulheres integravam o mercado de trabalho mas onde havia já diferenças importantes.

As mulheres tinham ganho alguma igualdade/autonomia porque o casamento tinha deixado de ser um contrato económico para dar lugar a uniões baseadas no “amor romântico”, esbatia-se a unidade económica que caracterizava a família tradicional.

Nas sociedades actuais coexistem, paralelamente, organizações familiares de deferentes tipos, mas os fundamentos mudaram.
O casamento tradicional, em que o enfoque era colocado nos interesses e necessidades da família alargada, passa a dar lugar a uma ligação que dá maior importância ao “casal” e ao “acasalamento”.

O casal passa a ser o centro da existência familiar, a função económica da família vai-se diluindo, o amor e a atracção sexual tornam-se aspectos que integram o casamento.
É uma unidade que se baseia na ligação emocional e na intimidade
.


GIN

Publicado por agineotonico às 11:00 AM | Comentários (1)

dezembro 06, 2003

Sociedade Democrática (4) - O Fundamentalismo

O desenvolvimento do fundamentalismo deve-se a uma tentativa de dar resposta à influência crescente da globalização, ele exige o retorno a uma leitura literal dos textos básicos e à sua extrapolação para a vida económica, política e social.

“O fundamentalismo é a tradição encostada à parede. É a tradição que se defende à maneira tradicional – através da referência à validade do ritual – num mundo globalizante que exige conhecer as razões ... o fundamentalismo é filho da globalização.” (Giddens)

Mas o fundamentalismo levanta questões importantes, nomeadamente, a questão de saber se é possível viver num mundo em que nada é sagrado.

É por isso que, no lado oposto, os cosmopolitas devem mostrar que “a tolerância e o diálogo também se podem guiar por valores universais ... todos nós necessitamos de estar comprometidos com princípios morais que estejam acima das pequenas preocupações e disputas da vida do dia a dia”.

Mas de todas as mudanças que se estão a dar em todo o mundo, as mais importantes são as que nos afectam a vida pessoal: a sexualidade, relações, casamento e família.

Estas mudanças estão a ter impacto e a modificar a forma como nos vemos a nós próprios e como estabelecemos relações com os outros, mas tem diferentes velocidades, enfrenta fortes resistências consoante as culturas e as regiões do mundo.

São as modificações que levam mais tempo a processar-se porque entram bem fundo na esfera da nossa vida afectiva.
Em praticamente todos os países do mundo se discute acesamente a igualdade sexual, a sexualidade e a família.


GIN

Publicado por agineotonico às 08:03 PM

Sociedade Democrática (3) - A Tradição

A tradição, para Giddens, é o conceito mais básico do conservadorismo porque assenta na ideia de que é sinónimo de sabedoria.

As mudanças trazidas pela modernidade às instituições públicas, ao serem confrontadas com os métodos tradicionais, colocaram no “limbo” algumas instituições como a família, a sexualidade e a distinções entre sexos, verificando-se nestas a persistência do peso da tradição e costume.
Ou seja, nas sociedades actuais coabitaram, e coabitam, a modernidade e a tradição.

Com a globalização, estas instituições, (públicas, a família, a sexualidade e a distinções entre sexos) tendem a perder a influência das tradições, “poucos dos aspectos do mundo físico permanecem inteiramente naturais, não afectados pela intervenção humana”.

Isto não significa o fim das tradições, porque elas são necessárias para dar continuidade e forma à vida, mas sim o seu reaparecimento em versões diferentes.

Com as tecnologias da informação, a modernização não se limita a áreas geográficas precisas mas fazem-se sentir a nível global, reflectindo-se nas tradições.

“Uma sociedade que vive para lá da tradição e da natureza, como sucede em quase todos os países ocidentais de hoje, exige que sejam tomadas decisões, tanto na vida corrente como em todos os outros domínios. O lado escuro da tomada de decisões é o aumento das dependências e da repressão.” (Giddens in O Mundo na era da Globalização)

O conceito de dependência alarga-se a muitos dos domínios da vida quotidiana: trabalho, comida, exercício, etc. E dependência significa perca de autonomia, significa que a escolha não vem pela via da autonomia mas pela via da angústia, considera Giddens.

Se na tradição, o presente resulta de um passado de sentimentos e crenças colectivas partilhadas, na dependência, o presente também resulta do passado mas apenas naquilo que não conseguiu romper com os hábitos que começaram por ser escolhidos autonomamente.

Diz Giddens, que “a luta entre dependência e autonomia está num dos pólos da globalização. No outro, encontra-se o embate entre o estilo cosmopolita e o fundamentalismo." (idem)


GIN

Publicado por agineotonico às 04:04 PM

A Sociedade Democrática (2)

A. Giddens, pioneiro do conceito Terceira Via, considera que o fenómeno da globalização não se resume às questões da esfera económica, que é um fenómeno muito concreto que, para além desta área, atravessa as áreas política, tecnológica e cultural.

Vai mais longe dizendo que é, também, um fenómeno interior que influencia a nossa vida nos seus aspectos mais íntimos e pessoais.

A luta pela igualdade de direitos entre homens e mulheres resultaria, também, deste processo de globalização que é constituído por uma rede de processos complexos.

Giddens vai às antigas raízes linguísticas da palavra “tradição”, tradere, que era aplicada num contexto jurídico para regular as heranças, a passagem de geração em geração da propriedade que deveria ser preservada e protegida.

Assim, “tradição”, no sentido que hoje se lhe confere, tem um significado recente, é uma criação da modernidade, obedece a um plano, é usada como força de poder.

Na sua opinião, todas as tradições foram inventadas consciente ou inconscientemente e incorporam sempre poder, não existem tradições puras.

Mas mesmo nestas condições, as tradições também sofrem mudanças, evoluem ao longo do tempo.

Não sendo características do comportamento individual, as tradições definem-se pelo ritual e pela repetição, pela pertença a grupos, a comunidades ou colectividades.


GIN

Publicado por agineotonico às 03:13 PM

dezembro 05, 2003

A MUDAWANA

A “Mudawana” é o código do estatuto pessoal que considera que as mulheres, como seres inferiores aos homens, devem viver debaixo da sua tutela.

O rei marroquino Mohammed VI avança para o Parlamento com uma reforma deste código secular, propondo alterações significativas:

- consagração da «responsabilidade conjunta” do casal, onde se lia «obediência da esposa ao marido»;

- idade mínima para casar fixada nos 18 anos (em vez de 15 anos) e com consentimento expresso dos noivos;

- em caso de separação, a prioridade é dada à mãe, mesmo que tenha sido ela a exigir o divórcio;

- a poligamia, autorizada pela “Sharia” (lei Islâmica), fica sujeita a autorização de um tribunal e, apenas, se existir “um argumento objectivo excepcional”. Mesmo nestas circunstãncias, pode ser vetado pela mulher, obrigando o marido a declarar por escrito que nunca violará a monogamia.

Lei Rhivi, porta-voz da organização Primavera da Igualdade, considera que esta propostas “é um passo de gigante para as mulheres” marroquinas, porque os seus direitos deixam de estar dependentes do poder religioso para ficarem sob a alçada do poder político-judicial.

Marrocos coloca-se, assim, ao lado da Tunísia e do Líbano no que diz respeito aos direitos sociais nos países arabo-muçulmanos.
(in Única. Texto de Pedro Paixão)


GIN

Publicado por agineotonico às 06:04 PM | Comentários (1)

dezembro 04, 2003

EMERGÊNCIA MÉDICA

Jorge Mineiro, médico ortopedista, na sua tese de doutoramento conclui que 61,2% das mortes de feridos graves que dão entrada nas urgências dos hospitais podiam ser evitadas.

Algumas das razões apresentadas para esta elevada taxa de mortalidade são a transferência inter-hospitalar dos feridos, o tempo de espera no atendimento, a falta de formação na área de trauma e a demora na intervenção dos diferentes especialistas.

Em muitos países, o atendimento nas urgências dos Hospitais é considerado uma especialidade médica, mas em Portugal, apesar das promessas no Ministro, os hospitais que têm uma estrutura fixa (Unidade de Trauma) de acolhimento de feridos graves, deve-se à “carolice” de alguns médicos que se dedicam para além da exclusividade e das suas horas de serviço.

O pôr em marcha soluções é urgente e passa pela criação das “Unidades de Trauma” nos hospitais, constituídas por equipas multidisciplinares especializadas neste tipo de intervenção.

Apenas uma visão multidisciplinar pode fazer toda a diferença, pode impedir que uma lesão se torne irrecuperável ou impedir as mortes prematuras.

Diz Paulo Freitas, Director dos Cuidados Intensivos do Hospital Fernando Fonseca que “é preciso saber o que é que cada hospital tem capacidade para fazer e quais as suas necessidades, integrar e racionalizar recursos e fazer uma auditoria sistemática, para saber que as pessoas que morrem vítimas de trauma, são efectivamente aquelas que não poderíamos salvar”, porque actualmente “todas as unidades que assistem politraumatizados têm diferentes tutelas, sem a mínima ligação entre elas”.


GIN

Publicado por agineotonico às 10:14 PM | Comentários (1)

TORRES POLÉMICAS

O PDM apenas permite a construção de imóveis com 8 pisos (até 25 metros) na zona de Alcântara.

Consta, nesse mesmo PDM, que as construções que prevejam ultrapassar esses valores, terão que ser “devidamente justificadas”.

Um grande grupo imobiliário português, o Grupo SIL, convidou Siza Vieira (que dispensa apresentações e constitui uma boa “arma de arremesso”) para apresentar o projecto para essa zona de Lisboa.

Uma área de 4,5 hectares onde Siza Vieira projecta a construção de 3 torres com 105 metros de altura, nada mais, nada menos que 85 metros de altura superior à permitida no PDM.

A SIL acha que esta diferença vai ser ultrapassada porque está a ser “devidamente justificada” pelos juristas da empresa.

Este mesmo grupo imobiliário tem outro projecto a ser desenvolvido para a zona ribeirinha da Cruz Quebrada.

Também aqui estão previstas a construção de torres e consta de Hotel, marina, habitação e escritórios, que irão transformar por completo a área do Jamor. O PDM teria que ser, também neste caso, alterado porque não permite a construção de habitação e escritórios nesta zona.

Percebe-se a necessidade de expulsar a Doca Pesca daquela zona.

Tudo é “devidamente justificado” pelos lobbies da construção civil, mesmo que isso implique fazer “tábua rasa” do PDM.


GIN

Publicado por agineotonico às 05:28 PM | Comentários (2)

AS NOVAS INFECÇÕES COM HIV


O número de novas infecções por HIV em heterossexuais ultrapassou o registado nos toxicodependentes.

Enquanto que em 1999 a infecção de heterossexuais era de 29,95%, em 2000 subiu para 32,4%, em 2001 para 36,1%, em 2002 para 46,6% e no primeiro semestre de 2003 a transmissão homem/mulher representa mais de metade das novas infecções registadas.

Segundo este estudo, os homens com idade superior a 40 anos constituem o grupo em que aparecem mais casos.


GIN

Publicado por agineotonico às 04:49 PM

dezembro 03, 2003

COMUNICAÇÃO SOCIAL: quem diz o quê.(5)

Boaventura dos Santos no seu artigo de opinião “O país Porno” diz que:

“a informação internacional nos média globais dos países desenvolvidos obedece hoje a uma lei férrea.

Os países próximos e importantes são noticiados em função dos temas relevantes para o normal funcionamento da globalização neoliberal: o desempenho económico, as grandes reformas estruturais, as eleições, a luta contra o terrorismo.

Os países distantes e insignificantes são noticiados em função da sua extravagância ou anormalidade: catástrofes naturais, escândalos, corrupção, violência interna.

No primeiro caso, as notícias aprofundam a proximidade e a importância, enquanto no segundo sublinham a distância e a insignificância.”

Entre 1986 e 1998, Portugal foi internacionalmente referenciado segundo a lógica dos países próximos e importantes. Nos anos seguintes as coisas mudaram até passar a ser noticiado segundo a lógica dos distantes e insignificantes.

Nada disto seria muito importante, porque a “lógica dos media globais tem pouco a ver com a complexidade do que se passa nos diferentes países”, o que é grave, na sua opinião, é o impacto que tem sobre a auto estima dos portugueses que se assumem como país insignificante, que só vêm os seus escândalos e não se apercebem do que realmente é fundamental: “o escândalo do agravamento das desigualdades sociais e do retrocesso na integração europeia”.

Esta forma de difusão da informação global, não é por acaso.

Esta comunicação social “é controlada por grandes grupos económicos, servida por comentadores neoconservadores, interessada em que a realidade da injustiça social, do desinvestimento na educação e na ciência, da privatização da saúde e da segurança social e de uma política económica suicida não desestabilize um governo conservador do qual esperam algumas rendas de curto prazo.”


GIN

COMUNICAÇÃO SOCIAL: quem diz o quê.(5)

Publicado por agineotonico às 07:36 AM

dezembro 02, 2003

COMUNICAÇÃO SOCIAL: quem diz o quê.(4)

A Jornalista húngara Katalin Muharay há 10 anos correspondente em Portugal, escreve sobre a informação dos 3 canais de televisão generalistas portugueses: “demasiado longa, sem estrutura e, por vezes, afastada da realidade”.

Diz esta jornalista que o sentimento geral entre os correspondentes estrangeiros em Portugal é que “os noticiários deixaram de ser um instrumento de apoio ao nosso trabalho ... já não funcionam como fonte de informação, são entretenimento”.

Diz, ainda, que “colocar constantemente o microfone à frente da boca do «povo» ou explorar os sentimentos dos telespectadores é sensacionalismo e não informação."


GIN

COMUNICAÇÃO SOCIAL: quem diz o quê.(4)

Publicado por agineotonico às 10:48 PM

COMUNICAÇÃO SOCIAL: quem diz o quê.(3)

Paul Krugman, Professor de Economia na Universidade de Princeton e considerado pela revista “The Economist” como «o mais celebrado economista da sua geração», é um crítico da política da Administração Bush que considera como a mais perigosa dos últimos tempos.

Diz que as pessoas que estão no comando do país constituem uma coligação de radicais que acumula recursos há mais de 30 anos e que a política que seguem visa, se não forem parados, transformar por completo os EUA e os outros países ocidentais.

Na frente deste processo está a direita radical que controla o Congresso desde 1994 e, em particular, Tom DeLay que é um membro extremista da direita radical.

Na política internacional, estes radicais agem mostrando a sua força e utilizaram o 11 de Setembro para desenvolver uma política externa que nada tem a ver com o terrorismo, mas sim com a sua visão de mandarem no mundo.

O desaire no Iraque fá-los-á conter-se por algum tempo porque provavelmente teriam uma lista de 7 países para serem intervencionados.

Considera que Blair se tornou refém da Administração Bush e que a Europa tem, no seu conjunto, um poder igual ao dos EUA, mas que se mostra incapaz de se assumir como bloco porque está “mergulhada em diferenças internas sobre o euro, o pacto de estabilidade monetária e a política externa.

Dentro dos EUA sente-se um crítico isolado porque as pessoas têm problemas em criticar o Presidente depois dos acontecimentos do 11 de Setembro, e “muitos jornalistas hesitam em apontar o que está errado, porque seria uma forma de reconhecer que, antes, foram idiotas ... grande parte dos jornalistas hesitam em discutir (a política da administração), como se fosse extremismo discutir o que está diante do nariz”.


GIN

COMUNICAÇÃO SOCIAL: quem diz o quê.(3)

Publicado por agineotonico às 09:02 PM

COMUNICAÇÃO SOCIAL: quem diz o quê.(2)

O General Loureiro dos Santos questiona o impacto das cada vez maiores capacidades de divulgação da informação dos conflitos em tempo real, nos sentimentos de adesão ou recusa aos “comportamentos e às justificações” que a opinião pública percepciona e em que medida é que isso inviabiliza o êxito das operações militares ofensivas (fora do território nacional).

Na sua opinião, a “mercenarização” das sociedades que “o que fazem é só por dinheiro”, tem tido reflexos nas forças armadas “o que parece pouco saudável, além de perigoso”.

Ele atribui à comunicação social um papel fundamental de controle sobre situações pouco claras ou abusivas, através da sua função informativa:

“o que surge como factor crucial é que não sejam travadas guerras sobre as quais não exista compreensão generalizada da justiça dos seus fundamentos e da indispensabilidade da sua realização, e que os valores por que se luta sejam suficientemente mobilizados e valham os sacrifícios que se exigem. E o que parece certo, e de aplaudir, é o poderoso travão que o ambiente mediático actual, constitui às guerras ofensivas insuficientemente fundamentadas, conduzidas pelas democracias”.
(“Democracia, media e guerra” in Visão)


GIN

COMUNICAÇÃO SOCIAL: quem diz o quê.

Publicado por agineotonico às 07:21 PM

O NOVO JORNALISMO FARDADO

Luís Maria Anson, jornalista de direita, em abril de 1985 publicou no jornal conservador ABC, uma proposta que visava pôr fim aos ideais independentistas do país Basco e onde se pode ler:

“dedicar, muitos milhares de milhões de pesetas anuais para financiar um plano que se estende das histórias aos quadradinhos às séries de televisão, das escolas à cátedra da universidade, dos empregados aos empresários, da divulgação popular à investigação científica, dos serviços de informação às mais subtis engrenagens das forças de segurança ... penetrar todos os tecidos do povo Basco de forma sistemática, estudada e bem financiada, com a grande verdade histórica de ser espanhol, para reconstruir o leito comum da pátria”.

Angel Rebalka, em co-autoria com Rui Pereira (jornalista free-lancer português), lançam o livro “Novo Jornalismo Fardado – El País e o nacionalismo Basco”.

O livro é, na opinião dos autores, um “combate pelo jornalismo, contra a criminalização da dissidência, do outro”.

Editado a partir da tese de doutoramento de Angel Rebalka que realizou uma pesquisa exaustiva do tratamento dado à informação sobre a realidade basca, feito pelo maior jornal diário espanhol, o livro denuncia as campanhas de grande mediatização de informação “devidamente tratada”, no sentido de criminalizar e discriminar os Bascos que têm ideias diferentes do poder de Estado Espanhol, com o falso pretexto de combate ao terrorismo.

Rui Pereira diz que “é um livro contra os crimes que o jornalismo está a cometer contra si próprio”.

Por seu lado, Angel Rebalka diz que “nesta e noutras coberturas mediáticas de conflitos é o risco de o jornalismo vestir a farda de serviço de «uma ancestral força que te faz ser o nome que te chamo porque detenho eu o poder de te nomear»”, atitude que, segundo os autores, o 11 de Setembro veio agudizar.
(in Visão nº 560)


GIN

A comunicação Social

Publicado por agineotonico às 06:12 PM

EUA APROVAM PROGRAMA DE ARMAS NUCLEARES

Os EUA tornam-se cada vez mais letais e perigosos, constituindo um entrave para a estabilidade mundial.

"Bush aprova lei para desenvolver armas nucleares
O presidente norte-americano assinou, na passada segunda-feira, uma lei que vai desbloquear milhões de dólares, que vão ser reencaminhados para a pesquisa de uma nova geração de armas nucleares

A notícia foi avançada por Scott McClellan, porta-voz da Casa Branca, que garantiu que a lei vai permitir a canalização dos fundos necessários para os programas nucleares do Departamento de Energia.

Entre as investigações que agora vão decorrer está incluído um estudo de viabilidade do desenvolvimento de bombas nucleares anti-bunker, que são capazes de destruir centros de comando e controlo subterrâneos, bem como depósitos de armas.

Está também previsto um outro estudo sobre armas nucleares utilizáveis em ataques de alta precisão.
A legislação aprovada por George W. Bush (na foto) vai atribuir verbas para acelerar os trabalhos no Centro de Ensaios Nucleares do Nevada, o que o pode tornar apto a efectuar testes com estas armas dentro de dois anos."

É caso para perguntar porque ameaçaram a Coreia.


GIN

Publicado por agineotonico às 07:18 AM | Comentários (3)

dezembro 01, 2003

RESISTÊNCIA IRAQUIANA (2)

Enviados especiais da “Visão” ao Iraque falam com membro da resistência iraquiana em Ramadi, cidade a cerca de 100 km de Bagdad, que tem sofrido uma média de 20 ataques diários.

Falaram com “Pai da Noite” (nome de código) que diz que:

- não são a favor de Bush, nem de Saddam, nem aprovam este Conselho Interno porque é constituído por pessoas que vieram de fora do país para servir os americanos:

- neste momento – há 2 resistências – uma republicana e outra islâmica - e que ambas têm como objectivo libertar o Iraque da ocupação americana. Que o facto de os terem libertado de Saddam, não lhes dá o direito de lhes ocuparem o país;

-o norte pertence aos Curdos, que os seus chefes são pró-americanos, mas que povo também é islâmico e também se irá revoltar;

- os Xiitas do sul estão preparados para resistir, mas ainda não têm ordens dos seus Imãs. Estão surpreendidos com isso, porque estão até disponíveis para aceitar que os Xiitas assumam o governo do país;

- o objectivo da resistência é expulsar os americanos do país inteiro. Bush, Blair e Bremer mentem ao mundo quando dizem que a resistência é feita por seguidores de Saddam e que apenas um quarto dos membros da resistência estão agora no activo;

- o dinheiro que os financia vem da população local e do material deixado pelo exército iraquiano. Havia 20 milhões peças de armamento que está em boas mãos;

- a resistência não tem grande organização, nem líderes, são um somatório de grupos que resistem, que não aceitam esta invasão e que respeitam os princípios islâmicos;

- o perfil do resistente é o de uma pessoa fiel à sua religião, tem bons princípios, tem um emprego e, com o seu salário, compra armas e munições;

- o alvo prioritário da resistência são, em primeiro lugar, os americanos e depois os espiões dos americanos, como os chefes das tribos que com eles colaboram;

- muitos terroristas são kuwaitianos que entraram em abril no Iraque com os americanos e que, para se vingarem da invasão que sofreram, incendiaram edifícios no Iraque e continuam a lançar a confusão;

- a Al Quaeda é, tanto no Afeganistão como no Iraque, uma justificação americana para invadir os dois países, porque o 11 de Setembro e o ataque agora na Turquia nada têm a ver com o Islão, mas sim com a política externa americana que se está a voltar contra eles próprios;

- os americanos são cristãos que é a religião que está mais próxima do Islão. Se tivessem derrubado Saddam e se tivessem ido embora, teriam as portas abertas. Terem ficado a ocupar o solo iraquiano, morrerão todos. Não era preciso ser um intelectual para perceber que não era uma libertação que estava para acontecer, mas sim uma ocupação;


- o Iraque passou, recentemente, por 3 guerras. Todos os iraquianos têm, pelo menos, 8 anos de experiência militar. “O iraquiano é um soldado desde criança, tem organização, tem fé e comporta-se como um caçador.”


GIN

Publicado por agineotonico às 11:25 PM | Comentários (1)

O QUE INTERESSA SÃO OS RESULTADOS


Seja a que custo for ... operando doentes sabe-se lá onde, por quem e em que condições ... acabando com o Serviço Nacional de Saúde ... e, talvez, chegando aos resultados americanos onde quem não tem seguros, tem infelizmente de mendigar um tratamento ou não ter acesso a qualquer serviço de saúde de qualidade.

“O ministro da Saúde quer que os cerca de 100 mil doentes que entraram para a lista de espera desde que começou a funcionar o Programa de Recuperação de Cirurgias do Governo sejam operados antes de atingirem o tempo considerado clinicamente aceitável para o seu caso. Se tal não acontecer, poderão recorrer a uma clínica privada ou misericórdia com quem o Estado tenha acordos.”

Luís Filipe Pereira, diz que os estabelecimentos do Serviço Nacional de Saúde passarão a ter metas e objectivos a cumprir e que a privatização dos Hospitais e Centros de Saúde são uma reforma ambiciosa e equilibrada, mesmo que passe para as mãos de construtores civis, porque o que interessa são os resultados ....

É pena não dizer que resultados espera desta reforma ... que a mim parece-me que será o fim da saúde pública em Portugal.

Colocado perante a questão das queixas sobre tratamento desigual de doentes nos SA devido a limitações orçamentais, Luís Filipe Menezes diz que não é preciso esperar pela conclusão das investigações ... mais uma vez o que deve interessar são os resultados (leia-se da poupança).

Sobre as queixas apresentadas pela Abraço em relação ao Hospital Egas Moniz que está a discriminar os doentes com SIDA, o Ministro a quem foi dirigida a queixa responde prontamente ... “desconheço isso” ... mais uma vez deve ser o problema dos resultados ...


TÓNICO

Publicado por agineotonico às 05:40 PM

PRIVADOS ATRASAM LISTAS DE ESPERA

A EXECUÇÃO do programa de recuperação das listas de espera cirúrgicas (PECLEC) nas clínicas privadas está muito abaixo do previsto, não tendo sequer chegado aos 30% do total das operações que, até agora, já deveriam estar feitas.

A má execução do programa é generalizada às regiões onde o Ministério da Saúde abriu concursos públicos para que entidades privadas realizassem as operações em lista de espera ...

cerca de 40 mil cirurgias foram postas a concurso, estando prevista a realização de, pelo menos, 12 mil operações por mês. A média, até agora, é de 4,3 mil ...

As Administrações Regionais de Saúde (ARS) reuniram na semana passada com os operadores privados para fazer um ponto da situação e ouviram muitas queixas:
- cerca de 40% das listas que lhes foram atribuídas diziam respeito a doentes que já tinham sido operados, havendo ainda uma percentagem mínima, de 3 a 4%, de doentes que disseram que não queriam ser operados.

- Houve até doentes que se recusaram a ir a Espanha, às clínicas privadas com quem o Ministério contratou algumas destas listas de espera.

- a execução estará também a ser dificultada ... pelo facto de os hospitais públicos - a quem se foram buscar estas listas de espera - estarem agora a chamar estes doentes para os operar. O Hospital da Universidade de Coimbra (HUC), por exemplo, teve, segundo fonte oficial do Ministério, uma «execução excepcional do PECLEC no último mês», o que levou a um «esvaziamento da lista dos privados»

Em relação às dificuldades evidenciadas pelos próprios operadores privados - alguns não executaram sequer 5% da lista que receberam, as ARS não têm meio de exigir responsabilidades, uma vez que não está previsto nos respectivos contratos qualquer tipo de penalidade para o seu não-cumprimento.
(in Expresso)

TÓNICO

Publicado por agineotonico às 04:45 PM