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novembro 29, 2003

Portugal em Timor Leste

Nunca aprendemos nada, nem com a experiência dos nossos erros mais dramáticos ...


«Dislexia» linguística

"... Quem vive no país confronta-se diariamente com esta situação, agravada pela falta de recursos humanos e materiais e as agendas díspares dos doadores ...

A conta da luz vem em inglês, o formulário para o livrete do carro em tatum, os comunicados do Conselho de Ministros em português e tudo o que tem a ver com a polícia e os tribunais quase sempre em indonésio...

Os jornais publicam em quatro línguas (tantas páginas em português como em inglês), a televisão e a rádio locais são dominadas pelo tatum e pelo indonésio. Numa delas até o inglês é mais ouvido, devido à ajuda na programação e na informação da Rádio Voz da América...

Na prática, ainda que só este ano se tenha decidido arrancar com o ensino do português em todas as disciplinas no nível primário, isso parece não estar a acontecer numa percentagem significativa das escolas...

A situação ainda é mais grave porque parte significativa dos docentes timorenses não fala português e muitos dos que o falam foram excluídos no processo de recrutamento governamental.
Por outro lado, atrasos sucessivos na distribuição dos livros cedidos por Portugal fez com que o Governo timorense os tenha recebido tarde e, consequentemente, distribuído ainda mais tarde aos alunos...

Desde Outubro, o programa de assistência ao sector passou por uma revolução, com a aposta a passar da formação de alunos para a de formadores, numa reviravolta do sistema.

Na sua última visita a Timor-Leste, o então secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, António Lourenço dos Santos, admitiu os erros do sistema, aludindo a uma óptica totalmente errada, ineficaz e estéril, reconhecendo que tinha sido um desperdício de fundos.

No entanto, segundo alguns observadores, é sobretudo necessário reajustar o empenho do lado timorense, já que a taxa de participação de professores timorenses nas aulas de português tem sido especialmente fraca.

Responsáveis portugueses manifestam-se relutantes em exercer pressões directas junto das autoridades timorenses, receando acusações de neocolonialismo, um sentimento que trespassa grande parte da política de gestão de sensibilidades adoptada por Portugal em Timor-Leste..."

(in "Expresso")


GIN

Publicado por agineotonico às novembro 29, 2003 09:56 AM

Comentários

Só agora, dois meses depois da edição, li esta "pérola" do Expresso. Um pouco em bruto, é certo, a peça, e escrita numa Língua indefinida, vagamente parecida com o Português. Algumas frases são absolutamente incompreensíveis.
Alguns detalhes: Tétum e não tatum. Reticências até à náusea, em todo o texto."sentimento que perpassa por" e não "que trespassa" (no último parágrafo).
Alguns factos: começando no ano 2000, foram distribuídos muitos, mesmo muitos milhares de livros nos 13 distritos, sub-distritos e aldeias; eu próprio participei nessa campanha, escola a escola, 1 conjunto de 3 livros diferentes por cada 2 estudantes. A não ser que as coisas tenham mudado muito entretanto, a distribuição é feita pelos professores e militares portugueses, não "pelo governo timorense". A formação sempre foi uma prioridade, não havendo nisso nem novidade alguma, nem - muito menos - qualquer "revolução".
Ao menos, o Expresso acertou no título: de facto, lá pelo semanário de grande circulação, existe muito dessa tal "dislexia linguística".
Do poucochinho que fui capaz de decifrar do último parágrafo, deduzo que já faltou mais para que o Governo português tenha de pedir licença e imensa desculpa por responder positivamente aos insistentes pedidos de ajuda das entidades timorenses.

Publicado por: JP Graça às janeiro 29, 2004 03:25 AM