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novembro 18, 2003
O MURO DA VERGONHA
A União Europeia, pronunciou-se hoje contra a construção do muro que separa Israel da Cisjordânia, pediu a Israel que ponha fim à sua política de construção de colonatos e que abra “canais de comunicação” com todos os interlocutores europeus, nomeadamente, com o seu enviado especial para as questões do Médio Oriente.
Por seu lado, o ministro Israelita Silvan Shalon considera que aquilo não é um muro mas apenas uma barreira de segurança e continua a recusar-se receber o enviado especial Europeu para as questões do Médio Oriente.
Como se sabe, a construção do Muro nada tem a ver com a questão dos ataques terroristas a Israel, mas sim com a consolidação e ampliação do seu domínio sobre os territórios palestinos onde continuam a construir colonatos.
Entre 1987 e 1993 Israel construiu uma barreira electrificada em torno da Faixa de Gaza, o que lhe permitiu proteger os seus 16 colonatos construídos em território palestino.
Com este muro, que na fase final terá 350 km, Israel anexará mais território, construirá mais colonatos e, isso, já se pode bem observar:
- a aldeia palestina de Quaffin vê-se privada de 60% das suas terras agrícolas; - na vila de Zabuda, no noroeste da Cisjordânia o muro também separa os seus moradores das suas próprias terras;
- a cidade de Kalkilya fica, não só, privada das suas terras, como cortada tanto de Israel, como da Cisjordânia.
Este muro, em conjunto com o da Faixa de Gaza, constitui um colar que estabelece ligação entre os colonatos israelitas e os seus locais militares visando, por isso, ligar estes colonatos e reforçar o controle sobre todos os espaços que as separam.
Por outro lado, visa colocar as populações palestinas em “reservas” isoladas umas das outras e sem capacidade de subsistência.
GIN
Publicado por agineotonico às novembro 18, 2003 07:02 PM
Comentários
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Muro de Berlim, porquê? Será que a barreira de segurança divide o mesmo povo em dois países como era o caso na Alemanha, e ainda por cima por razões de ideologia política? É evidente que não. Não se trata do mesmo povo, aliás a própria Autoridade Palestiniana, num assomo de generosidade, afirmou em Haia que até ajudaria à sua construção, se o muro acompanhasse a linha verde.
Muro do "apartheid", porquê? Por acaso vem a barreira de segurança "separar" ou excluir uma parte da população de Israel, privando-a dos direitos normais da cidadania israelita? É que é necessário esclarecer, de uma vez por todas, que os cidadãos palestinianos que vivem nos territórios ocupados por Israel, numa ocupação que apesar de durar há já demasiado tempo, é provisória, não são cidadãos israelitas, mas sim cidadãos com passaporte da Autoridade Palestiniana e futuros cidadãos do Estado palestiniano. Portanto, quando se fala em "apartheid", quer dizer o quê?
E já agora, muro racista porquê? Será que o "muro" se destina a delimitar um espaço étnico, separando também os cidadãos árabes israelitas dos seus compatriotas judeus? Concorde-se ou não, a barreira destina-se a proteger os cidadãos israelitas e o seu traçado obedece a esse imperativo. Nada tem a ver com razões de separação étnica, e obviamente não inclui as zonas de implantação árabe israelita. Aliás estes preferem claramente viver em Israel: pelo menos, como dizem, enquanto não houver na Palestina "democracia, liberdade e segurança social". Apesar das razões de queixa, e têm-nas sem sombra de dúvida,não há em Israel nenhuma legislação racista.
Finalmente porquê utilizar a palavra "muro", quando se sabe que apenas quatro por cento da vedação será muro, o resto será uma vedação metálica, apenas mais sofisticada do que a que existe já há mais de dez anos em Gaza?
É evidente que num mundo em que as palavras "muro", "racismo" e "apartheid" têm uma conotação tão dolorosa e simbólica, a escolha destas palavras não é inocente. A sua utilização é um estigma, tenta fazer de Israel um Estado pária, um país que perdeu a sua legitimidade entre as nações. "
Estas palavras não foram escritas por mim. Mas refletem tudo a aquilo que eu penso.
Publicado por: Rui Oliveira às março 5, 2004 08:59 PM