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novembro 28, 2003

Está convencido mas não convence

Diz o Ministro da Saúde Luís Filipe Vieira : “Estou convencido que, no final do mandato, a Saúde estará melhor”.

Dizem 83 médicos do quadro de Santa Cruz em Lisboa: “há situações graves que podem comprometer o Hospital: risco de quebra grave na qualidade dos cuidados a prestar devido à falta de pessoal de enfermagem ... dificuldades/suspensão da actividade de colheita de órgãos para transplantação renal ... redução do número de cirurgias de patologias complexas e altamente especializadas ... sugestão gravíssima de um tecto assistencial para os doentes do Serviço Nacional de Saúde em benefício dos doentes privados e dos subsistemas”.

Dizem outros médicos: “os doentes mais complicados e com internamentos que se prevêem longos, tendem a ser transferidos dos SA para outras unidades”. “O IPO, foi o último Hospital a assinar o contrato porque teve muitas dificuldades em ver nele incluídos os tratamentos mais caros, com é o caso da radioterapia”.

Queixam-se os médicos: “O objectivo que os SA apresentavam de criação de prémios diferenciados para os médicos com base na sua avaliação de desempenho, nunca foi levada à prática. Pelo contrário, os contratos individuais de trabalho realizados com os médicos são penalizantes: as faltas de parto não são justificadas na avaliação de assiduidade, as horas extraordinárias e a actividade privada ficam dependentes dos Conselhos de Administração, os horários de trabalho não prevêem horas para formação profissional, os médicos estão proibidos de denunciar más práticas detectadas nos hospitais, estão também proibidos de divulgar dados científicos e há uma diluição das carreiras, numa única carreira. Os médicos têm abandonado os Hospitais SA de Santa Marta, IPO, São Francisco Xavier e Santa Cruz, deslocando-se para os que lhes garantem vínculo à função Pública.

Queixam-se os enfermeiros: “A passagem dos Hospitais a SA contribuiu para agravar a falta de enfermeiros que já se verificava. Nos SA, só se entra com contrato individual de trabalho e as condições de trabalho são muito más porque para reduzir os custos, reduzem o número de enfermeiros por turno. Assim, os enfermeiros deslocam-se para os hospitais que lhes garantem vínculo à função Pública, deixando os hospitais de Santa Marta, IPO, São Francisco Xavier e Santa Cruz que estão com graves problemas de falta de pessoal de enfermagem.

Queixas de alguns utentes dos hospitais: “O descontentamento dos doentes sobre o funcionamento do Amadora/Sintra - sobretudo na urgência, que não está dimensionada para o número de atendimentos - tem sido amplamente noticiado, já que este é o único hospital público de gestão privada do país. "Apesar de nos últimos tempos a comissão de utentes do hospital se encontrar praticamente inactiva, como doente posso afirmar que a situação das urgências, que nós denunciamos desde há sete anos, tem piorado nos últimos tempos", afirma António Nunes, que preside a associação.


TONICO

Publicado por agineotonico às novembro 28, 2003 03:38 PM

Comentários

Refletindo sobre a expressão do titular da pasta.
Quase que acabo por lhe dar razão. É que a saúde
em Portugal está tão moribunda, que com o falecimento de um tão grande número de doentes,
acaba por ficar resolvido por si, o problema. Deve ser nesse contexto que ele estará a pensar.

Publicado por: congeminações às novembro 28, 2003 09:45 PM

Estará o ministro da saúde convencido, ou pretenderá apenas convercer-nos?
Será que ele está convencido que uma cabeça (a dele) pensa melhor do que muitas?
Uma coisa é certa. Está a tratar-nos muito bem da nossa “saúde”.
Os cangalheiros agradecem!

Publicado por: vmar às novembro 28, 2003 09:26 PM

Já que não conseguimos mudar
esta gentinha deste governo, dá
vontade de lhe mandar um recado
muito simples:
-"VAI DAR BANHO AO CÃO!".

Publicado por: bi às novembro 28, 2003 08:26 PM