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novembro 26, 2003
DESINCENTIVOS E PENALIZAÇÕES
Os contratos programa nos Hospitais SA, contêm uma clausula que prevê desincentivos e penalizações para os que apresentarem uma produção inferior à que foi acordada, mas também para os que excederem a produção.
Ou seja, se um SA aumentar a produção acima dos 5%, o hospital perderá dinheiro.
Se tivermos em conta outra clausula destes contratos, que se refere ao facto de os SA apenas receberem verbas pelos actos médicos (urgências, consultas ou internamentos)>, deixando assim de fora as despesas de investimento, formação profissional, meios de diagnóstico e outras despesas correntes de manutenção dos serviços, será fácil de perceber as queixas dos médicos dos Centros de Saúde que referem que estes hospitais lhes estão a mandar doentes para realizarem ali os exames.
Aliás, Álvaro de Carvalho, Presidente do Garcia da Horta SA, não esconde a situação e afirma “há que captar clientela”, mas esta clientela a que se refere são os doentes das seguradoras e dos subsistemas que são uma das grandes receitas dos hospitais e, acrescenta, que no caso das consultas pode “haver tendência de mandar fazer os exames fora” com credenciais para a medicina convencionada, porque será a ARS (Administração Regional de Saúde) e não o hospital SA a pagar.
Álvaro de Carvalho diz, ainda, que terá que fazer “ajustamentos de pessoal”. Para já reduziu em 22% nas despesas com trabalho complementar principalmente dos médicos e enfermeiros e cortou nas despesas com as empresas externas que se encarregam da limpeza, tratamento de roupa, restauração e segurança.
Diz ser “totalmente falso” a informação dada por um médico de que esteve suspenso o início do tratamento com Interferon R44, um medicamento caro destinado à esclerose múltipla.
A clausula dos desincentivos e penalizações, por si, não parece ter grande fundamento numa estrutura SA, mas a questão é de facto aparente. Porque o que vai acontecer são pelo menos 3 coisas:
1) Vai passar a haver duas listas de espera nos hospitais SA, a lista do Sistema Nacional de Saúde e a lista dos subsistemas;
2) O Estado vai financiar os SA “pela porta do cavalo”, pagando os exames que os doentes ali deveriam fazer e que são mandados fazer no serviço público;
3) mas o mais grave é que, quando os doentes precisarem de exames e medicação que os hospitais públicos têm, até hoje, disponibilizado, correm o risco de não terem acesso a eles porque são caros e os SA não os dispensam.
É desta forma que se pretende desenvolver a medicina em Portugal e se diz que se está a melhorar o Sistema de Saúde.
TÒNICO
Publicado por agineotonico às novembro 26, 2003 07:05 AM
Comentários
Excelente post. Ando tão absorto que nem tomei atenção nessas matérias tão importantes. Obrigado pela info.
Publicado por: Rui às novembro 26, 2003 12:35 PM