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novembro 27, 2003
DE BURACO EM BURACO ENCHEM OS LOBBIES O PAPO
O Arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles considera que os aluimentos que se têm dado em Lisboa vão continuar a acontecer porque resultam da “alteração dos lençóis freáticos provocados pelo excesso de construção e ao levantamento de paredes de betão em linhas de água”.
Esta “alteração do regime hídrico e o aumento dos caudais de escoamento, sobrecarregando as canalizações”, deve-se, na sua opinião, “à sistemática transformação de quintas, logradouros interiores e quintais em condomínios fechados e garagens”.
Aponta como exemplo a construção prevista de um novo empreendimento imobiliário, “Jardins do Aqueduto”, que vai de novo interferir com os afluentes da Ribeira de Alcântara.
“Ao não se construir o sistema de drenagem das águas pluviais da Ribeira de Alcântara, estas deixaram de poder canalizar, não entrando pelos canos e obrigando a abrir vazios (fendas) no asfalto das rodovias, com os consequentes abatimentos”.
Ribeiro Telles alerta ainda para as consequências da destruição dos talvegues (fundo dos vales), diz que esta destruição vai continuar a provocar novos acidentes.
É esta destruição dos talvegues que justifica o aluimento em Campolide e que está a provocar graves danos no Bairro da Liberdade, temendo-se que toda aquela encosta desabe arrastando os seus moradores.
Não é, pois, por falta de informação sobre as origens e as consequências destes acontecimentos que se continua na destruição sistemática da cidade de Lisboa permitindo uma construção imobiliária desenfreada.
A razão está na cedência às pressões dos grandes grupos económicos ligados à construção civil e na mais completa ausência de respeito pelo ordenamento do território.
É a característica terceiro mundista do lucro fácil, da ausência de critérios de qualidade e de incapacidade para perspectivar as acções em termos de futuro assentes no saber.
Vai ser preciso uma tragédia como a de Entre os Rios, para vermos quem autoriza a perpetuidade deste estado de coisas vir para a comunicação social fingir chorar os nossos mortos com pompa e circunstância.
22 Novembro 2002 – aluimento do pavimento da Rua da Prata.
23 Novembro 2002 – abertura de uma cratera no passeio do Martim Moniz. Uma hora depois, novo aluimento na mesma zona, abre um buraco de 4 metros de diâmetro e 1,5 de profundidade.
25 Novembro 2002 – Abrem-se dois buracos na faixa esquerda da Rua do Ouro.
2 Dezembro – Rebentamento de uma conduta de água no cruzamento da Rua dos Fanqueiros com a Rua de Santa Justa.
20 Julho 2003 – Rebentamento de uma conduta de água na Maria Pia, que destruiu o asfalto e danificou o piso numa extensão de 70 metros.
9 Agosto 2003 – O pavimento da rua da Prata volta a ceder.
24 Novembro 2003 – Aparecimento de um buraco na Rua das Portas de Santo Antão.
25 Novembro 2003 – Abertura de um buraco com 40 metros de diâmetro em Campolide.
GIN
Publicado por agineotonico às novembro 27, 2003 05:54 PM