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outubro 23, 2003

SER HOMEM DE PARTIDO


Ser "homem de partido", não me parece criticável, é uma opção pessoal.
O que me parece criticável é ter uma postura acrítica e seguidista face a todas as posições e/ou acontecimentos que se passam nesse partido.

A riqueza de qualquer organização, está na diversidade de ideias, de culturas, de "estares", etc.
No que diz respeito a um partido verdadeiramente democrático, o debate permanente e criativo das ideias tem de ser uma "imagem de marca".

Todas as alturas são boas para "um homem de partido" se distanciar e assumir posições autonomas em relação a questões essenciais que se passam com o seu partido e, parece-me, é o que faz Manuel Maria Carrinho no DN de hoje.

É verdade que o PS está debaixo de fogo, mas também é verdade que foram muitos, os seus dirigentes, que lá o meteram assumindo posições e comportamentos inadmissíveis e indefensáveis.

Parece-me importante que os "homens de partido" consigam tomar o pulso às consequências destes factos e não deixem que o seu partido resvale para fora do espaço que lhe compete, tanto mais que nos estamos a referir a um partido com um grande passado histórico.

Não sou do PS, não sou uma "mulher de partido", mas reconheço a importância do seu espaço político.

A posição assumida pelo autor do "Barnabé" é um passo dado no sentido da destruição desse espaço político do PS. Defender a actual direcção é destruir o Partido Socialista, pensar na ideia peregrina que a unidade e a ocupação do seu espaço político se faz mantendo a actual direcção e, em particular, Ferro Rodrigues, é um erro político grosseiro.

Quando Pedro Adão Silva, do Secretariado Nacional, diz que é nos momentos de dificuldades que se devem "cerrar as fileiras, e não abrir brechas", demonstra o seu desfasamento da realidade.
Cerrar fileiras, quem? A direcção do PS?
As brechas estão abertas. As brechas entre a actual direcção e parte significativa das suas bases de apoio e de eleitorado "oscilante".

O problema é que, quer os "homens de partido", quer a direcção do PS, deviam ter tido a sensibilidade política para perceber que Ferro Rodrigues " está queimado" e devia ter optado por sair.
Mas não, Ferro Rodrigues agarra-se à direcção e esta com o argumento de que é melhor a "união, porque quaisquer outros cenários seriam piores", afasta-se da possibilidade de recuperar o partido.

Neste momemto, o PS como partido de oposição não existe, perdeu-se nos corredores do Rato, em torno do umbigo de ferro Rodrigues.


A GIN E O TÒNICO

Publicado por agineotonico às outubro 23, 2003 03:25 PM

Comentários

Lucidez é o que falta. Belo texto.

Publicado por: Rui MCB às outubro 23, 2003 05:05 PM