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outubro 20, 2003
HÁ O DIREITO À NOSSA DIGNIDADE
"Há, naquela figura doente, gasta, frágil, a marca de uma humanidade difícil, o gesto desse derradeiro esforço em sobreviver. Não é agradável, essa imagem — é o retrato daqueles que escondemos longe da vista, em lares, hospitais, na sombra, na escuridão".
O que me perturba na imagem deste homem, é o doloroso esforço que parece fazer para cumprir as suas obrigações públicas. Não digo como no "Memória Inventada", que "as suas limitações físicas são incompatíveis com as exigências e responsabilidades do cargo que ocupa"
Isso seria aceitar que pessoas com deficiência física teriam o acesso vedado a determinados cargos porque essa deficiência as tornava incompatíveis.
O que me pergunto, muitas vezes, é se a sua aparição pública não corresponde a interesses que nada têm a ver com o "dar um rosto a todos aqueles que marginalizamos".
É verdade que o Papa, tanto quanto parece, está lúcido, a visão da sua condição física aceito-a com naturalidade, mas questiono se não chegou o momento de repousar em paz da vida atribulada que teve no desempenho das suas funções ... é que todos temos direito à nossa dignidade.
Sinceramente, considero que o post do "Aviz" é, por si só, uma homenagem a esses marginalizados da nossa sociedade, mesmo que servindo-se para isso da imagem do Papa para lhes dar visibilidade, e que sai reforçada a ideia pela extraordinária capacidade e beleza da sua escrita.
Esta, parece-se ser uma das formas possíveis e adequadas, de chamar a atenção para uma injustiça social.
E há outras .... que não necessariamente a imagem do Papa/Homem em sofrimento, porque imagens de idosos em sofrimento há muitas, e de sofrimento solitário, excluído, tornado invisível para "descanso" das nossas consciências.
GIN
Publicado por agineotonico às outubro 20, 2003 09:39 PM