Ao contrário do que diz José Manuel Fernandes, no seu artigo “Quem nos ameaça: a América ou os terroristas?” (Público de 21/11/03), as pessoas que, como eu, consideram que a invasão do Iraque foi motivada por interesses económicos, políticos e estratégico-militares, não têm dificuldade em “dizer, com clareza, se se está ou não de acordo com o programa de promoção da democracia no Médio Oriente”, nem têm “confundidas as nossas prioridades!" E baralhadas as nossas referências”.
Quem tem, eventualmente, as prioridades e as referências baralhadas, são as pessoas acham que com a invasão militar de um país podem instaurar uma democracia.
Ainda mais baralhadas estão as suas referências quando fazem afirmações tipo” E onde está a ameaça? Naqueles que, por fanatismo religioso, por obediência a uma leitura distorcida e falsa do Islão, se atiram com explosivos contra gente pacífica e inocente - como fizeram em Nairobi, no Iémen, em Nova Iorque, em Bali, em Riade, em Bagdad, em Nassiryah, agora em Istambul”.
É que estas afirmações, para além de demonstrarem uma propositada desinformação sobre a origem desses actos, insultam toda a população muçulmana, na medida em que se fazem de forma generalizada.
É com base nesta teoria que os EUA se tornam numa ameaça para todo o mundo e, em particular, para o Médio Oriente.
Basta ler a comunicação social para ter consciência de onde nos levou a política agressiva dos Estados Unidos, secundada pelos países que integraram a chamada “coligação”, quando decidiram invadir o Iraque.
Se o mundo já tinha as suas bolsas de insegurança e instabilidade, agora assiste-se a uma verdadeira escalada de violência generalizada.
É que o apoio à construção de democracias faz-se através de estratégias democráticas, de incentivos ao desenvolvimento económico, social e cultural. Faz-se através da cooperação e do desenvolvimento e não através de intervenções militares que põem em causa a soberania de outros países por muito violentos e agressivos que sejam.
Admito a possibilidade de uma intervenção militar em situação limite, o que não era o caso, como foi provado pelos inspectores da ONU.
Este artigo de José Manuel Fernandes é, não só de uma hipocrisia imensa, como uma outra forma de dizer como Bush “ou estão connosco ou estão contra nós”.
Por mim, digo claramente, estou contra.
Estou contra a política belicista dos EUA, estou contra a tentativa dos EUA de dominarem zonas estratégicas do mundo sob o ponto de vista económico e estratégico-militar, estou contra ocupação militar do Iraque, estou contra as ameaças que estão a ser dirigidas a outros países do Médio Oriente.
Não considero que tenha as referências baralhadas, tenho é referências diferentes das do autor deste artigo e, como estou numa democracia, tenho o direito de as ter sem que me digam que as minhas estão baralhadas.
Quanto à questão de Israel, José Manuel Fernandes, também tem uma resposta pronta, é: - para quê apoiar os palestinos se “o Arafat, hoje por hoje um obstáculo tão grande à paz como Ariel Sharon”?
Esta é ir longe demais, é ignorar o sofrimento do povo palestino, é fazer de conta que não se vê o que Israel está a fazer a este povo dentro do seu próprio território.
Por muito que se não queira, e na mesma perspectiva que defende este autor, a pergunta tem que ser feita: porque não invadir Israel e pôr cobro à destruição do povo palestino e à ocupação dos seus territórios?? Porque não invadir Israel que tem sido a culpada do aumento do terrorismo naquela zona do globo?
GIN
Pior que o terrorismo internacional são as razões
que o fomentam. Ora como sabemos os EUA têm-se
revelado exímios nessa actividade.
Felizmente ainda há gente que não segue obedientemente o líder da democracia e da liberdade ocidental ( EUA )!!!
Afixado por: vmar em novembro 24, 2003 05:47 PM