“Mais uma vez, Medicina conquistou as médias mais elevadas, com a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto a registar a nota mais elevada do último aluno colocado: 185,8 pontos. A classificação mais baixa coube à Faculdade de Medicina da Universidade Técnica de Lisboa: 181,5 pontos.” (JN 23/09/03)
Porque continuamos nesta palhaçada de quem vai para medicina terem, forçosamente, de ser os indivíduos que têm melhores notas? Será que no próximo ano melhorará o nível dos candidatos seleccionados com o novo modelo de concurso de acesso?
Em que critérios se baseia a opção de seleccionar a entrada em medicina pela nota de disciplinas gerais, que pouco ou nada têm a ver com as aptidões de cada um para um, para o exercício de uma profissão? Quais os critérios, no caso concreto da medicina em que para além do necessário saber científico e técnico, necessita de dedicação, de espirito de sacrifício e de uma constante actualização que apenas se pode obter possuindo espírito crítico e uma boa dose de criatividade?
Nos dias de hoje, não basta deter os conhecimentos técnicos e científicos, é necessário que os jovens médicos tenham capacidades para produzir conhecimento e, isso, essa capacidade não se determina através de uma selecção que tem como referência as inflacionadas notas das disciplinas gerais.
E a propósito desta questão que coloco e como vai mal a nossa medicina em relação a estes princípios, pergunto: quantos médicos conhecem com uma verdadeira dedicação à profissão e com capacidades de produção de conhecimentos que lhes permita uma abordagem abrangente no tratamento dos doentes?
Poucos certamente. E com os ingressos no curso de medicina desta forma, suspeito que teremos formação de onde sairão investigadores para um lado e médicos para a clínica para o outro mas, de entre estes últimos, poucos que verdadeiramente nos tratem. Na verdade, basear a selecção nos critérios actuais, impede o ingresso nos cursos de medicina de candidatos de classes sociais diferenciadas, nomeadamente, daqueles cuja classe de origem é igual ou próxima da classe da maioria dos doentes. Todos temos consciência da subjectividade subjacente às notas dadas aos alunos e muitos jovens que, eventualmente, estejam verdadeiramente vocacionados para o exercício da prática médica vêm, à partida, as portas fechadas para uma profissão em que gostariam de investir.
Por isso, advogo o concurso por escola médica. Cada escola faz uma prova de acesso e o candidato é seleccionado por essa prova que deverá ter, para além de uma componente de avaliação de conhecimentos, em que poderá entrar a nota do secundário, terá forçosamente de ter uma entrevista e, eventualmente, outras provas de aptidão.
Vou beber mais um GinTónico para animar
Beijos Gin do Tónico
Publicado por agineotonico em setembro 23, 2003 06:06 PM | TrackBackÉ evidente que tudo isto não acontece por acaso.
Já viram que não há médicos no desemprego?
Já repararam que se houvesse médicos como há licenciados em outras áreas eles não poderiam levar 90 € por consultas de 10 minutos?
Isto é um lóbi muito forte! Isto é mais uma prova do nosso mais que terceiro mundismo... não há Expos ou Euros que nos valham.
Afixado por: tuga em agosto 31, 2004 04:37 AMpoix é...estive a ler os vossos depoimentos e percebi que não sou a única nesta situação...acabei de completar o 10º ano com média de 17.3 e começo a perceber que o meu sonho de entrar num curso de Medicina está a ir pelo cano a baixo...já pus a hipótese de ir para Espanha estudar mas pareçe-me dificil...começo a perder a força para continuar a estudar :( estou triste...
Afixado por: Joana Mateus em agosto 27, 2004 02:49 AMEu preferia entrar para medicina em Portugal, mas parece que vou realizar o sonho de ir estudar para Espanha... Vou para o 11ºano e a minha média do 10º é apenas 17... mesmo que as média em Portugal baixem penso que não será o suficiente para eu entrar... Gostaria se alguèm tiver informações sobre medicina em Espanha, me contacte através do meu email... obrigada! BKX******
Afixado por: Rita em agosto 14, 2004 09:12 PMOi Pessoal,
Vejo imensos pedidos de esclarecimento sobre MEDICINA EM ESPANHA. Como também fiz o mesmo pedido em relação aos EUA e não obtive qualquer resposta, deduzo que ninguém vos tenha esclarecido, por isso, aqui vai o meu contributo em relação a ESPANHA, porque também já passei por aí…
Os alunos estrangeiros que queiram ir para U. Espanholas, têm que fazer os exames da UNED, ver (www.uned.es/) . Estes, são feitos em 2 dias,( 3 exames por dia). No 1º dia, fazemos 2 exames de Espanhol (língua Espanhola e Gramática Espanhola) e 1 de língua Portuguesa. No 2º, mais 3 exames, conforme o curso, no meu caso Medicina, fiz Biologia, Química e Matemática. Os exames têm classificações de 0 a 10. As médias de entrada em Medicina, andam por volta dos 7,6 e os 8,5. Parece fácil, não é? Pois, mas nem tudo o que parece é…Para os alunos Portugueses, é fácil nas cientificas tirar boas notas, mas quando chegamos às línguas, meus amigos, é o terror. É verdadeiramente vergonhoso a forma como estes exames são corrigidos, como não há critérios de correcção, nem nos é possibilitado o acesso aos exames que fizemos, simplesmente dão as notas que lhes apetece, e normalmente vão de 0 a 3 no Espanhol, e até no Português cujos exames vêm cheios de erros ortográficos e não só, nunca passam do 5 (se não sabem fazer os exames, como é que os podem corrigir condignamente?). Assim, os alunos que têm, por exemplo, media de 9 (o nossos 18) no bloco Cientifico apanham com um 4 nas línguas, o que dá 6,5, significa isto… não entras… se isto só se passasse comigo (2 anos consecutivos ) até achava que era burra, pois tenho 5 anos de Instituto de Espanhol… mas infelizmente, tenho imensos amigos e conhecidos com o mesmo problema. Felizmente estou no 2º ano de Medicina Dentária e até gosto do curso. Acho que vou deixar morrer o sonho da Medicina…
Concordo e subscrevo totalmente o que disse Miss Z. Tal como ela estou a começar a desesperar quando penso que, apesar da minha média de 17,67 no 11º ano, para o ano por esta altura devo estar a preparar as malas para ir estudar para Espanha. É revoltante pensar que tenho de abandonar os meus amigos, a minha familia e passar as férias a estudar espanhol para concretizar o meu sonho, mas mais revoltante ainda é pensar naqueles que têm o mesmo sonho e não podem ir estudar para o estrangeiro...
Gostava muito de poder falar com a Miss Z.
Afixado por: Sara Malta em agosto 9, 2004 04:31 PMÉ incrível como o número de depoimentos de pessoas como eu, continua a aumentar de dia para dia...Acabei o 11º ano com média de 17.5 e, contudo, estes resultados não poderiam ser menos animadores!Tenho ainda hipóteses de fazer os exames de equivalência à frequência,e a minha média poderia, eventualmente, subir algumas décimas, de modo que o sonho que tenho desde os 5anos se tornasse concretizável.Mas sabem que mais?Simplesmente não consigo!De cada vez que olho para os livros,os apontamentos,os testes que fiz e os tento estudar, lembro-m de todo o meu percurso escolar e de todos os sacrifícios que fiz em vão...Começo a sentir-m mesmo muito perdida.Não compreendo com que direito o governo português continua a destruir o sonho de jovens cmo eu desta maneira.Simplesmente, não compreendo.E não perdoo o facto de me sentir assim...Sempre fui muito sociável,nunca tive inimigos,adorava ir a praia, sair e divertir-me...Desde que realmente me apercebi de que não conseguirei entrar em medicina cá em portugal, que perdi a vontade de fazer todas estas coisas...É triste...
De kk das maneiras, estou a fazer um curso intensivo de espanhol, vo estudar medicina em espanha e nunca hei-de desistir de ser 1excelente profissional. =)
Never give up, folks!!! =)
Bgd GIN pela oportunidade de FALAR...hehe* * *
Estou completamente de acordo com a afixado de 23 de Setembro de 2003. Penso que um bom médico tem que ter muita vocação e acima de tudo uma grande capacidade para lidar com os seus doentes. Sou estudante(passei para o 12º ano)na àrea de científico natural e o meu sonho era realmente entrar para medicina o que é de todo impossivel uma vez que a minha média do 10º e 11º anos é apenas de 14,5 valores e por muito que me esforçe e tente dar o meu melhor nunca consigo tirar uma média superior. Não consigo entender porque é que as médias estão tão altas...até chega a ser um exagero! Há pessoas que conseguem tirar média de 19 valores e no entanto os seus objectivos e sonhos não são medicina...mas apenas pelo facto de conseguirem essa média vão entrar porque é uma profissão que "dá muito dinheiro"! Que absurdo! E nós(os que pretendem entrar e não conseguem, tal como eu) e o nosso??? Não temos direito a ele porque não somos alunos de 19 valores??? Por Favor!!! A vocação, a humanidade e o sonho são 3 dos "factores" que nenhuma média pode dar, jamais, a alguém! Pensem nisso...Kiss
Afixado por: Andreia Sofia em junho 16, 2004 09:13 PMMargarida
Li o teu comentário. Custa-me sempre ver pessoas que gostariam de ingressar numa carreira serem impedidas de o fazer por uma razão deste tipo. Como disse o Tónico neste post, esta forma de selecção não garante a entrada dos que poderiam vir a ser os melhores médicos. Esta é a forma de manter o ingresso a medicina nas mãos de uma classe específica de pessoas, não visa selecionar os que têm aptidões humanas para o fazer.
Abraço
GIN
Afixado por: GIN em junho 13, 2004 11:23 PMSou uma aluna, que acabou de completar o 10º ano do agrupamento de ciências.Escolhi este agrupamento porque gostaria de um dia vir a exercer medicina.Contudo penso que isso não será possivel.
Acabei o ano com média de 14, é certo que ainda faltam dois anos...mas as hipoteses de entrar para medicina são quase nulas. Acho bastante injusto que as medias deste curso sejam tão elevadas...e depois todos os dias nos jornais, podemos ler que cada vez mais médicos espanhois vêem para ca trabalhar.É uma ironia.
Penso que um médico acima de tudo deve ter uma grande capacidade de relacionamento social, e eu duvido que 'os marrões' que agora entarm para medicina com média de quase 19, saibam o que é falar com os outros, ou sequer,estabelecer uma relação com alguem. Um medico também tem de ter vocação, ser dedicado e também ser corajoso.
Gostava que as médias descessem pelo menos 2 valores. Mas pelo andar do nosso país... penso que isso é de todo impossivel.
A grande competição no acesso a Medicina só se explica pelo prestígio social da profissão e pelos benefícios de que goza a classe médica.Se recuarmos uma geração, verificamos que só quem tinha vocação se tornava médico. A classe médica era mal paga e não havia serviço nacional de saúde que lhe assegurasse o salário. A paga era muitas vezes galinhas, coelhos e feijão.Dos actuais médicos, muitos entraram com médias abaixo de 15, tiveram tempo de namorar, passear, ir ao cinema, estar com os amigos e dormir com tranquilidade. A minha irmã é economista hoje, a mãe não a deixou seguir a vocação com medo que ela acabasse como a Dra que era sua vizinha; mal paga e chamada a toda a hora para acudir aos mais necessitados. Hoje é o oposto, os que têm vocação mudam de área e os que entram em medicina acabarão como a maioria actual; engordam nos consultórios privados à custa das listas de espera e do deficiente serviço de saúde no público, eles serão os comerciantes da medicina, classe em futura expansão!Em Paris uma consulta da especialidade no privado custa em média 20 euros, em Portugal custa 3 vezes mais! A falácia de que custa muito formar um médico é inaceitável, pois diminuindo as vagas nos cursos que colocam todos os anos milhares de licenc. no desemprego poder-se-iam formar mais médicos. O corporativismo da classe, representada pela OM é um dos principais culpados. É que havendo excedente a concorrência aumentaria e isso era muito mau para a classe, que perderia muitos dos privilégios e ver-se-ia obrigada a tratar os doentes com maior dignidade e humanismo. Eu não poderia ser médica, pois não sinto a mínima vocação, escolhi ser professora, e tenho pena das gerações vindouras, que irão pagar caro os erros cometidos nesta área. A disparidade de notas entre diversas escolas é sobejamente conhecida, a inflaccionação das notas também.É preciso mudar o ensino secundário, é preciso ensinar os alunos a pensar e fazer e não a debitar teorias e textos cristalizados, que nada dizem das suas capacidades sociais, humanas e criativas.
Afixado por: Maria Ferreira em abril 25, 2004 03:13 AMNa minha opinião as médias para entrar em medicina estão muito elevadas. Gostaria que as baixassem porque não é desta forma que se formam bons médicos.
Acho que antes de uma pessoa entrar numa universidade de medicina deviam passar por vários exames sociais para ver como é que as pessoas se relacionam.
Acho que as medias nao querem dizer que se seja um bom medico ou nao!!O segredo está na vocação e na dedicação.
eu acho k as médias para entrar em medicina sao elevadissimas e que nao é desta maneira k s formam bons médicos. Na vida de um adolescente existem várias etapas pelas quais temos k passar, uma delas é a socializaçao! Um factor que nao é muito desenvolvido quando queremos entrar em medicina, já que o único tempo que nos resta depois das aulas é para estudar! Grandes médicos!!! Mas, o que interessa mesmo é a capacidade de decorar que "eu" tenho e nao a minha vocaçao! È triste, mas é assim que Portugal escolhe os seus médicos! por estas razoes e por ser o único país a adoptá-las é que Portugal é um país evoluidissimo!!
Afixado por: sofia em fevereiro 13, 2004 11:26 PMSou actualmente professor assistente no ensino universitário em medicina dentária. Concordo com alguns dos pontos de vista e realmente é de todo inaceitável que permitam que individuos sem aptidão (sobretudo humana) para a prática do exercício da medicina, acedam às faculdades porque tem médias exageradamente elevadas (sorte de quem se dedica à "marronice"), enquanto outros que não tendo a mesma dedicação, são bastante mais capazes pelas suas características humanas e no fim... percebe-se... intelectuais (porém serão sub aproveitadas).Com alguma ironia relembro o fracasso que foi Einstein na sua jovialidade estudantil. Felizmente para o mundo, as regras eram outras e ele conseguiu entrar na faculdade e fazer-se o pai da relatividade. Abraços e boa reflexão.
Afixado por: Dr. X em fevereiro 13, 2004 09:55 PMconcordo plenamente com o afixado em 23 de setembro sobre o ingresso em medicina, alias ,acho que a unica decisao aceitavel a tomar por parte do governo seria aplicar testes psicotecnicos aqueles que pretendem ingressar no curso de medicina.Antes de mais é necessario que todos tomem consciencia que um bom medico nao é necessariamente um excelente aluno de secundario.É apenas aquele que tem capacidade de aplicar com eficencia os conhecimentos adquiridos enquanto universitario e que gosta do que faz.É necessaria uma grnde dose de dedicaçao e talento para se relacionar com as pessoas.Ser um bom medico implica antes de mais ser muito humano.E como em qualquer outra profissao em que se lida com pessoas (neste caso pacientes) é necessario que haja também um grande prazer na actividade que se realiza para assim se puder servir e atender com prazer todos aqueles que nos procuram!
beijO* bom blog!!